Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 12h28

Por AFP

Dos movimentos de protesto que varreram países ao redor do mundo, à guerra comercial entre Estados Unidos e China, passando pelo processo de impeachment contra Donald Trump, aqui estão os principais eventos que marcaram 2019:

Na Argélia, a decisão do presidente Abdelaziz Bouteflika de concorrer a um quinto mandato provocou uma onda maciça de manifestações pacíficas em 22 de fevereiro.

Bouteflika renunciou em 2 de abril sob pressão das ruas e do Exército, mas os manifestantes continuaram a exigir uma revisão de todo establishment político que existe desde a independência em 1962.

A oposição rejeitou as eleições sob o governo atual, convocadas para 12 de dezembro.

O líder do Sudão, Omar al-Bashir, foi o próximo a ser derrubado pelos militares em 11 de abril. Ele deixou o governo após 30 anos no poder e depois de quatro meses de manifestações contínuas provocadas pelo aumento do preço do pão, que ficou três vezes mais caro.

Após prolongadas negociações, foi estabelecido em agosto um conselho de governo composto por civis e por militares, encarregado de supervisionar a transição para o regime civil.

As manifestações em massa que eclodiram no Iraque em 1º de outubro contra o desemprego, a corrupção e os precários serviços públicos deflagraram uma grave crise política. Mais de 330 pessoas foram mortas, e quase 15.000 ficaram feridas, manifestantes em sua maioria.

No Líbano, o governo anunciou, em 17 de outubro, a cobrança de tarifa nas ligações feitas via aplicativos de mensagem, como o WhatsApp. A medida foi rapidamente descartada, mas isso não evitou que milhares de pessoas fossem às ruas.

Estes protestos sem precedentes levaram o primeiro-ministro Saad Hairi a renunciar. Agora, a população se volta contra a classe política em geral, considerada corrupta e incapaz de acabar com a crise econômica.

O Irã, que exerce considerável influência nesses dois países, também tem sido palco de conflitos desde 15 de novembro. Neste caso, as revoltas foram deflagradas pelo aumento do preço da gasolina.

Em maio, o Irã começou a suspender compromissos assumidos no acordo nuclear de 2015 com potências mundiais. A medida surgiu em resposta à decisão dos EUA em 2018 de sair do pacto e restabelecer as sanções contra Teerã, sufocando sua economia.

Em paralelo, as tensões entre Washington e Teerã aumentaram, depois de atos de sabotagem e de ataques a navios no Golfo. Estes incidentes foram atribuídos ao Irã, que nega qualquer envolvimento.

Em junho, Washington e Teerã chegaram perto de um confronto militar, depois que a Guarda Revolucionária do Irã derrubou um drone dos EUA.

Em 14 de setembro, uma onda de ataques aéreos às principais instalações petrolíferas sauditas foi reivindicada pelos rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen. Teerã é acusada pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita de ser responsável.

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