Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 10h11

Por AFP

"Sou uma mulher normal que não está interessada em ter relações com homens". É assim que Bonnie Lee se descreve, determinada a buscar a felicidade solteira.

Ela não está sozinha. Cada vez mais sul-coreanas rejeitam as rigorosas normas patriarcais e prometeram que nunca se casarão. Nem querem fazer sexo.

"Sempre senti que, como mulheres, temos mais desvantagens do que vantagens quando nos casamos", diz Lee, de cerca de 40 anos, que mora com seu cachorro perto de Seul.

Ela foi ainda mais longe ao se juntar ao movimento feminista radical "4B", ou "4 Noes": sem namoro, sem sexo, sem casamento, sem filhos.

O casamento está em queda livre na Coreia do Sul, onde as mulheres casadas trabalham fora de casa, criam seus filhos e até precisam cuidar dos parentes do marido com pouca ajuda do Estado, ou da comunidade.

"No mercado do casamento, sua vida anterior ou experiência de trabalho não contam", diz Lee, que possui dois mestrados.

"Por alguma razão ridícula, ter ensino superior geralmente é negativo. O que mais importa como esposa em potencial é se você é capaz de cuidar do seu marido e de sua família", acrescenta.

Ela viu amigas com alto nível de educação que conseguiram superar as barreiras profissionais, mas com problemas em casa depois de terem filhos.

Essas dificuldades são a trama do filme "Kim Ji-young, Born 1982".

Baseado em um controverso romance feminista, o filme conta a história de uma mulher coreana que deixou o emprego quando se casou para criar os filhos com quase nenhuma ajuda.

As mulheres dão ao filme nota 9,5 nos motores de busca mais populares. Já os homens, nota de 2,8.

Um número crescente de mulheres está dando as costas às expectativas tradicionais de uma sociedade profundamente sexista, onde as mulheres trabalhadoras passam quatro vezes mais tempo fazendo tarefas domésticas do que seus maridos.

Há uma década, quase 47% das mulheres solteiras pensavam que o casamento era necessário. No ano passado, esse percentual caiu para 22,4%, enquanto o número de casais dispostos a viverem juntos até a morte passou de 434.900, em 1996, para 257.600.

Não há dados oficiais sobre a extensão do movimento 4B, mas seus membros dizem que tem pelo menos 4.000 seguidoras.

Além disso, um canal feminista do YouTube contra o casamento e os filhos tem mais de 100.000 inscritos.

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