Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 9h12

Por AFP

A chanceler alemã Angela Merkel chegou nesta sexta-feira ao antigo campo de extermínio nazista de Auschwitz, para sua primeira visita a este símbolo do Holocausto nos seus 14 anos de governo.

A visita, a primeira de um chanceler alemão desde 1995, coincide com a ascensão do antissemitismo e da extrema-direita na Alemanha e o desaparecimento das últimas testemunhas dos horrores de Auschwitz, o que dificulta a transmissão da memória.

No início da manhã, Merkel atravessou o portão do campo de concentração, onde ainda há o sinistro slogan nazista: "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta").

A chanceler estava acompanhada do primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki, um sobrevivente de Auschwitz, Stanislaw Bartnikowski, 87 anos, e de representantes da comunidade judaica.

Na quinta-feira, Merkel anunciou a concessão de 60 milhões de euros à Fundação Auschwitz-Birkenau para a manutenção do local onde mais de 1,1 milhão de pessoas foram mortas entre 1940 e 1945.

A maioria morreu pouco depois de chegar ao campo de concentração e extermínio nazista, localizado na atual Polônia.

A visita da chanceler, nascida nove anos após a Segunda Guerra Mundial, ocorre pouco antes da comemoração do 75º aniversário da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho russo, em 27 de janeiro de 1945.

Merkel deve observar um minuto de silêncio em frente ao Muro da Morte, onde dezenas de milhares de detidos foram fuzilados.

Em seguida, a chanceler visitará Birkenau, a três quilômetros do campo principal, em particular a rampa onde os deportados eram "selecionados" quando desciam dos trens de transporte de animais: os mais jovens, os mais velhos e os mais frágeis eram enviados diretamente para a morte.

A chanceler fará um discurso durante a tarde.

Na Alemanha, a memória do Holocausto está no centro da reconstrução de sua identidade pós-guerra, mas as autoridades estão preocupadas com o aumento de atos antissemitas.

Na quinta-feira, Merkel reiterou que a "luta contra o antissemitismo e contra todas as formas de ódio" é uma das prioridades de seu governo.

Também insistiu na "determinação" das autoridades para que a crescente comunidade judaica se desenvolva plenamente na Alemanha.

Em outubro, um ataque fracassado a uma sinagoga em Halle chocou o país. O autor, que matou duas pessoas aleatoriamente, é um jovem seguidor das teses negacionistas.

O partido de extrema-direita AfD, que entrou no Bundestag (Parlamento) há dois anos, defende o fim da cultura do arrependimento.

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