Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 8h11

Por AFP

Dezenas de jovens bem vestidos se movem estranhamente pelas mesas da sala de conferências, trocando algumas palavras e o currículo, na tentativa de encontrar um parceiro, muitos acompanhados pelos pais.

Uma mulher de 38 anos que prefere não revelar sua identidade diz que "não teve coragem" de encontrar um marido e deixou a casa de sua mãe, que a acompanhou a esta feira para encontrar um parceiro.

"Não tive muitas ocasiões para encontrar alguém", explica. "No meu trabalho, existem muitas mulheres, mas poucos homens".

Cerca de 25% dos japoneses com entre 20 e 49 anos são solteiros, segundo dados oficiais.

Embora as pessoas dessa idade expressem seu desejo de se casar, comportamentos sociais antiquados e a crescente pressão econômica tornam cada vez mais difícil, dizem os especialistas.

O professor de Sociologia Masahiro Yamada, da Universidade de Chuo de Tóquio, declarou à AFP que é normal pessoas solteiras viverem com seus pais até que se casem, para que tenham menos pressão para encontrar um parceiro.

"Acham que ter um relacionamento com alguém que não atende aos seus requisitos é uma perda de tempo" e podem esperar até encontrar algo melhor. Essas pessoas são descritas como "solteiros parasitas".

Embora a segurança financeira de longo prazo seja considerada importante, a dificuldade de encontrar moradia a preço razoável é mais um incentivo para continuar morando com mamãe e papai, diz.

Um senhor de 74 anos que veio a essa reunião para encontrar uma namorada para seu filho de 46 anos aponta para outro problema: a crescente timidez.

"Meu filho é vendedor. É bom com os clientes, mas é muito tímido quando se trata de mulheres", afirma o pai. Por que seu filho não procura alguém sozinho? Porque está muito ocupado no trabalho.

O mesmo pai diz que a filha mais velha é casada, mas a caçula, uma médica que mora nos Estados Unidos, continua solteira aos 34 anos.

Ele reconhece que se preocupa com ela, "já que ouvi dizer que é difícil para as médicas encontrarem um parceiro".

Shigeki Matsuda, professor de sociologia da Universidade de Chukyo, no Japão central, explica a queda no número de casamentos no país por um fenômeno conhecido como "hipergamia".

"As japonesas tendem a procurar homens com emprego estável e nível educacional" mais alto que o delas, aponta.

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