Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 21h27

Por AFP

O presidente Jair Bolsonaro enfatizou nesta quinta-feira (5), durante a cúpula do Mercosul em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, a necessidade de prosseguir com políticas de abertura comercial, em uma advertência velada a cinco dias da posse de Alberto Fernández (centro-esquerda) na Presidência argentina.

"Precisamos levar adiante as reformas que estão dando vitalidade ao Mercosul, sem aceitar retrocessos ideológicos", disse Bolsonaro, ao abrir a reunião, da qual participaram o presidente em fim de mandato, Maurício Macri, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, e a vice-presidente uruguaia, Lucía Topolanski, assim como representantes de países associados ao bloco.

A crise política boliviana esteve presente na reunião.

Brasil, Argentina e Paraguai expressaram seu apoio à presidente interina boliviana, Jeanine Áñez, que assumiu o cargo após a renúncia de Evo Morales, o primeiro indígena a presidir o país, que denuncia ter sido vítima de um "golpe de Estado".

Topolansky, presente na reunião devido a um problema de saúde do presidente Tabaré Vásquez, qualificou a saída de Morales de "ruptura constitucional".

"Não houve golpe", afirmou a chanceler boliviana, Karen Longaric, reiterando que seu país celebrará nos próximos meses "as eleições mais limpas e transparentes da história" do país.

Macri enviou uma mensagem a Fernández, que assumirá o cargo na terça-feira, pedindo-lhe que "oficialize o trabalho" de Àñez, e se disse convencido de que em breve a Bolívia ingressará ao Mercosul como membro pleno.

Os quatro países assinaram oito acordos, entre eles um de cooperação de polícia fronteiriça para perseguir criminosos em fuga, um para a proteção dos Indicadores Geográficos entre os Estados-membro, e outro para facilitar o comércio, reduzindo a burocracia e os prazos nas alfândegas.

O futuro do Mercosul, fundado em 1991, agora está submetido às transições políticas e às reorientações ideológicas de Argentina e Uruguai, onde em 1º de março o liberal Luis Lacalle Pou substituirá Vázquez, pondo fim a quinze anos de governos de esquerda.

As tensões entre Bolsonaro e Fernández desde a derrota eleitoral de Macri preocupam o mundo dos negócios e por suas eventuais consequências no processo de ratificação do acordo de livre comércio assinado este ano com a União Europeia.

Mas em uma Live no Facebook, Bolsonaro disse que "demos mais um passo para a concretização, para a efetivação de fato do nosso acordo Mercosul-UE".

"Temos pressa de cada país para aprovar esse acordo o mais rápido possível. Vai demorar ainda, talvez até o final do ano que vem ou final do outro ano, mas vamos implementar".

O governo de Bolsonaro chegou a ameaçar abandonar o Mercosul, temeroso de que Fernández, herdeiro de uma economia em crise, adote políticas protecionistas.

Macri disse que o bloco deve continuar com "a negociação de acordos que nos permitam nos inserir na economia global".

As transições políticas impediram um eventual avanço nas discussões para reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC), a elevada taxa - de 13% a 14%, em média - sobre importações a países terceiros.

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