Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 16h57

Por AFP

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, classificou como "ato criminoso", nesta quinta-feira (5), o que considera uma fraude orquestrada pelo governo de Evo Morales nas anuladas eleições de outubro e que a Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou como uma "manipulação dolosa".

Para Áñez, o informe da OEA mostra que "o governo de Evo Morales não teve escrúpulos para enganar os bolivianos".

Ela assumiu o governo em 12 de novembro, com a missão de organizar novas eleições, após a renúncia do líder indígena.

Em entrevista coletiva, o procurador responsável pelo caso, Ronald Chávez, afirmou que o documento da OEA divulgado ontem será usado para "punir os responsáveis pela fraude", no processo judicial iniciado pelo Ministério Público.

Durante a posse de seu delegado no tribunal eleitoral de Santa Cruz (leste), a presidente responsabilizou o ex-presidente Morales, que está asilado no México.

"Nem a história da nossa amada Bolívia, nem a Justiça, nem Deus poderão deixar de punir este ato criminoso", gestado na "própria presidência" para estender um "modelo de poder corrupto, ilegal e violento".

"As evidências encontradas pela OEA são pavorosas", insistiu, acrescentando que "não me resta dúvida alguma de que o governo anterior orquestrou um crime de dimensões escandalosas".

"Esse informe, que é muito exaustivo, descreve com precisão a forma como o governo do MAS [partido de Evo] foi tecendo uma rede de corrupção assentada nos poderes do Estado para montar uma fraude monumental", completou Áñez.

A equipe de auditores da OEA também relatou a alteração de atas e o redirecionamento do fluxo de dados do processo para dois servidores ocultos, fora do controle do pessoal do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), para favorecer Morales. O ex-presidente buscava seu quarto mandato.

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