Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 13h57

Por AFP

Uma lenta asfixia do crescimento mundial, sob efeito dos conflitos comerciais, da digitalização e das mudanças climáticas, com risco de despertar conflitos sociais: o cenário de sufocamento de 2019 corre o risco de se manter em 2020, alertam os economistas.

A Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o crescimento mundial se limitará a 2,9%, como em 2019, seu nível mais baixo desde a crise mundial de 2009.

"Estamos em uma época inquietante", afirmou a economista-chefe do órgão, Laurence Boone.

O Fundo Monetário Internacional prevê uma expansão de 3,4% em 2020, mas esta recuperação "ainda é precária", para sua economista-chefe, Gita Gopinath.

A economia globalizada não se encontra apenas no fim de um ciclo, mas no fim de uma era - a do aumento das trocas comerciais e da ascensão industrial dos países emergentes.

O consenso diplomático em torno do livre-comércio se desfez com a chegada do presidente americano Donald Trumo ao poder, envolvido em uma queda de braço comercial e tecnológica com a China, que pesa sobre seu crescimento.

O Brexit - se ocorrer como previsto - será um teste adicional ao multilateralismo.

As finanças mundiais estão de cabeça para baixo após anos de abundância dos grandes bancos centrais, que estão lutando para desmamar os mercados, alguns dos quais, como Wall Street, saltam de recorde em recorde.

O fenômeno a princípio absurdo das taxas de juros "negativas" se generalizou em alguns países, comprimindo a rentabilidade dos bancos e fazendo a dívida privada crescer.

Steve Eisman é categórico: "Nós não teremos uma crise sistêmica" à la Lehman Brothers, garante à AFP o investidor conhecido por ter previsto a quebra do sistema financeiro americano, há uma década.

Para Eismen - cuja história inspirou o filme "A Grande Aposta", a economia pode continuar a crescer a ritmo lentou ou entrar em "uma recessão típica com uma economia que desacelera e pessoas perdendo dinheiro. "Já será doloroso o suficiente".

Ludovic Subran, economista-chefe da seguradora Allianz, prevê um "purgatório de crescimento" mundial. Se houver um, "o próximo choque sistêmico sem dúvidas não vai nascer nas finanças, mas será exógeno. Por exemplo, um grande choque regulatório dos dados pessoais, ou ligado ao clima".

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