Publicado 04 de Dezembro de 2019 - 18h27

Por AFP

A líder de oposição Keiko Fujimori, que saiu da prisão após 13 meses de detenção por envolvimento no escândalo de corrupção da Odebrecht, enfrenta o desafio de reerguer o Fujimorismo e transformar novamente esse movimento radical populista na primeira força política do Peru.

A tarefa de reposicionar o movimento que surgiu com o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) exigirá a construção de pontes e consenso entre a primogênita Keiko, 44 anos, e o filho mais novo do clã, Kenji, 39 anos, com quem disputa a herança política do pai.

Ao deixar a prisão em 29 de novembro, Keiko mostrou quais seriam suas prioridades, com declarações que sugeriam uma espécie de retirada tática.

O líder do partido fujimorista Força Popular agradeceu "a nova oportunidade" que vive, mas disse que, por enquanto, investirá seu tempo em sua família - ela é mãe de duas meninas de 12 e 10 anos - sua saúde e política, nessa ordem.

O primeiro teste nas urnas para o fujimorismo será na eleição legislativa de 26 de janeiro de 2020. Em 2016, o partido conquistou 73 de 130 assentos no Congresso, obtendo a maioria absoluta.

Atualmente, Keiko tem uma sombra sobre seus interesses políticos, a investigação por supostamente ter recebido financiamento da construtora Odebrecht para sua campanha.

"A eleição de 2020 não é tão importante a longo prazo; é um teste para as legendas partidárias, pois as listas de candidatos ao Congresso não contarão com o peso de uma candidatura presidencial. Por isso Keiko pode se afastar por um tempo e definir suas prioridades ", disse à AFP o analista Carlos Meléndez.

Keiko se encontra diante de um cenário político no país muito diferente do qual existia antes de ir para a prisão em 31 de outubro de 2018. O Força Popular tem perdido espaço desde então, após Keiko ter ficado perto de ser eleita para a presidência em 2011 e 2016.

O presidente Martín Vizcarra dissolveu o Congresso há dois meses. Essa decisão minou ainda mais a base de poder já esgotada de Keiko, pois ela liderou o Congresso à distância, embora nem sequer fosse parlamentar.

Para muitos observadores, é difícil imaginar o fujimorismo sendo mesma força esmagadora que era entre 2016 e 2019, mas ninguém afirma que isso é impossível.

"Eles terão um desempenho ruim, conseguirão emplacar representantes no Congresso, mas será uma bancada muito pequena se comparado a 2016, porque agora estão desacreditados, divididos, desmoralizados", diz o analista Fernando Rospigliosi à AFP.

Embora a popularidade de Keiko tenha afundado, seu partido segue em segundo lugar nas pesquisas de opinião em um contexto marcado pela desconfiança dos eleitores em relação aos políticos.

De acordo com uma pesquisa da Ipsos, 32% dos entrevistados indicaram que não votariam em nenhum dos 10 partidos participantes na legislatura de 2020. O Ação Popular (centro) é o principal partido mencionado, com 10% de intenção de voto, seguido da Força Popular, com 9%.

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