Publicado 04 de Dezembro de 2019 - 11h42

Por AFP

O presidente iraniano Hassan Rohani afirmou nesta quarta-feira que seu país está "disposto a dialogar" com os Estados Unidos caso o país suspenda as sanções contra a República Islâmica, restabelecidas após a retirada de Washington do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Rohani descartou negociações bilaterais diretas entre Irã e Washington, privilegiando o contexto multilateral.

"Se (os Estados Unidos) estiverem dispostos a deixar de lado as sanções, essas negociações poderão acontecer no marco do grupo 5+1", declarou Hassan Rohani, referindo-se aos seis países (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) que assinaram o acordo de 2015 com o Irã.

Em um discurso difundido pela televisão estatal, Rohani disse que já havia feito "explicitamente" essa oferta há um tempo.

Rohani já antecipou uma proposta similar em setembro, antes de comparecer à Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.

"Estamos sob sanções. Essa situação não é culpa nossa", mas "o resultado de um ato cruel da Casa Branca", ressaltou Rohani nesta quarta-feira.

"Ao mesmo tempo não fechamos a porta às negociações", reiterou. "Digo à nação iraniana que a qualquer momento se os Estados Unidos estiverem dispostos a suspender e deixar de lado suas sanções injustas, cruéis, ilegais, inapropriadas e terroristas, os dirigentes do 5+1 podem se reunir e nós não vemos nenhum inconveniente", acrescentou o presidente iraniano.

Essa proposta de Teerã é feita depois que aproximadamente cem cidades iranianas foram afetadas em meados de novembro por um movimento de protesto gerado por um aumento no preço dos combustíveis.

As autoridades dizem que a calma voltou após dias de manifestações marcados pela violência, que o governo classifica de "motins" estimulados por "inimigos" da República Islâmica, como Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita.

Teerã considerou na terça-feira como "mentiras absolutas" os balanços de ONGs de defesa de direitos humanos, como a Anistia Internacional, que apontou "pelo menos 208" manifestantes mortos pela repressão aos protestos.

O presidente americano Donald Trump considerou "terrível" que "muita gente" tenha "morrido no Irã pelo simples fato de se manifestar".

Segundo o acordo de Viena, o Irã aceitou reduzir drasticamente suas atividades nucleares para garantir sua natureza civil, em troca da suspensão de parte das sanções internacionais que asfixiam a economia da República Islâmica.

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