Publicado 01 de Outubro de 2019 - 18h41

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Wagner e Torres

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Uma árvore, com mais de cinco metros de altura, plantada há 15 anos na calçada da Rua Manoel Antônio de Almeida, no Bairro Jardim Santa Genebra, em Campinas, tem causado problemas para o casal de aposentados Paulo Clemente Luciano, de 78 anos, e Regina Estela Brolezi, de 72. As raízes causaram rachaduras na calçada, garagem e até mesmo nas paredes do imóvel onde os dois moram com o filho Fernando, de 38 anos. O jovem, que nasceu prematuramente, usa cadeira de rodas para se locomover.

A família alega que o problema começou em 2015 e que todos já estão cansados de relatar o problema para a Prefeitura. Segundo eles, a Administração Pública nunca foi ao local averiguar a situação. “Disseram que se a gente cortar a árvore seremos multados, porque não temos autorização para fazer isso”, disse Regina. “A gente já fez várias reclamações e os funcionários da Prefeitura sempre respondem que o pedido está em análise. Vai ficar em análise até quando? Até uma tragédia acontecer?”, completou Fernando.

Além das rachaduras, outro problema que assombra os moradores da residência são os fios de energia elétrica, que estão se enroscando com as folhas e troncos da árvore. Paulo explica que o vegetal lenhoso é frutífero em determinadas épocas do ano e que, por conta disso, muitas crianças da rua sobem nos galhos para pegar as frutas. “Isso é um perigo, porque o corpo deles fica bem pertinho dos cabos de alta-tensão”, afirmou.

Outros casos

A falta de uma boa manutenção em árvores por parte do Poder Público não é somente uma exclusividade dos aposentados Paulo e Regina. A auxiliar administrativa, Kátia Silva, de 32 anos, por exemplo, teve que desembolsar até agora mais de R$ 8 mil depois que uma árvore, de mais de 15 metros, caiu sobre o muro de sua casa no último dia 21 de setembro, na Vila Pompeia. Segundo a jovem, vários pedidos junto a Prefeitura foram feitos nos últimos três anos para retirada de parte do vegetal lenhoso. “Nunca fizeram questão de me dar atenção. Procurei meu advogado e vamos entrar com um processo contra a Prefeitura”, afirmou.

Já o aposentado Manuel Claure Iriarte, desde maio de 2018, espera pela extração de uma árvore que se transformou em um problema para ele e para seus vizinhos. Plantada em frente ao número 61 da rua Limeira, no bairro Cidade Jardim, a árvore, com o tempo, cresceu de forma desordenada e acabou ocupando praticamente a calçada inteira da via.

A copa já está maior que o sobradinho de sua propriedade e que ele não consegue mais alugar o espaço. “Eu já tinha reduzido o valor do aluguel, mas agora faz mais de um ano que não consigo inquilino. As pessoas não aceitam porque as folhas entopem calhas, sujam varanda e área de serviço”, diz o aposentado, que ainda vê o risco da árvore cair. “Está cheia de cupim e pode desabar a qualquer momento”. Manuel disse ainda ter procurado alguns vereadores em busca de solução para o problema, mas que até agora nada mudou.

Respostas

Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que o Departamento de Parque e Jardins (DPJ) vistoriarão os dois endereços (Jardim Santa Genebra e Cidade Jardim) ainda nesta semana para tomar as providências necessárias. “Importante esclarecer que nem sempre a poda e a extração são necessárias. É preciso uma avaliação técnica do DPJ antes, para saber exatamente o que precisa ser feito. Muitas vezes é necessário que o trabalho seja em conjunto com outro órgão, como a empresa de energia elétrica, por exemplo, para lidar com os cabos de alta-tensão. No caso de extração, a avaliação também é muito criteriosa, porque a árvore é um bem público e deve ser preservado”, informou a nota.

Ainda de acordo com a Administração, a extração de árvores é feita somente quando elas estão mortas, com alguma doença grave ou que apresente algum tipo de risco. “Segundo o DPJ, de todos os pedidos de extração de árvores que chegam, após análise técnica, cerca de 70 % não se justificam. Os cidadãos podem solicitar as avaliações de poda e/ou extração de árvores por meio do telefone 156”.

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Adagoberto F. Baptista