Publicado 03 de Outubro de 2019 - 5h30

O conceito de sustentabilidade, assim como o de desenvolvimento sustentável, envolve três pilares: ambiental, econômico e social. Ou seja, somente a harmonia desse “tripé” pode garantir a integridade do Planeta, assim como um futuro promissor da humanidade.

Um bom exemplo de como é possível aplicar o contexto na prática é o projeto Sustent’Arte, do Serviço Social da Industria (Sesi), que oferece uma união de esforços em prol do meio ambiente, a partir da capacitação profissional.

Explica-se: as empresas/indústrias e interessadas em desenvolver projetos de responsabilidade socioambiental podem contar com a consultoria do Sesi que irá analisar o resíduo da empresa e a comunidade para desenvolver um projeto customizado de acordo com suas necessidades.

“A proposta é uma parceria por meio do desenvolvimento de produtos com apelo de design e inovação, produzidos a partir do resíduo gerado pela própria indústria”, conta Carina Cintra Fernandes, orientadora de responsabilidade social da Unidade Campinas.

De acordo com ela, um dos diferenciais do projeto é trabalhar de modo exclusivo com a realidade dos envolvidos. Por exemplo, a edição mais recente, finalizada ano passado, em Limeira, ocorreu em parceria com a BRK Ambiental. Ali, a proposta foi utilizar o tecido dos uniformes descartados para confecção de produtos artesanais, comercializados em feiras de artesanato da região.

O programa oferece a qualificação profissional, por meio de oficinas que ensinam o desenvolvimento de habilidades técnicas, profissionais e pessoais. Durante as aulas, trabalha-se também o estímulo ao espírito empreendedor, bem como a estruturação de novos negócios sociais (gerando independência econômica).

“A estrutura do Sesi permite fazer um ‘diagnóstico’ com a empresa e entender como ela pode desenvolver ações para ser sustentável e gerar impacto social, dentro das características da sua rotina. Ou seja, cada edição acaba tendo sua própria identidade”, reforça Carina

Em outra edição, também finalizada em 2018, e dessa vez em parceria com a Prefeitura Municipal de Leme (que dispôs de recursos financeiros e espaço físico para as aulas), e a empresa TS TECH (fornecedora dos tecidos utilizados no curso), o resultado foi uma linha de bolsas de viagens — incluindo versão para kits de higiene pessoal — confeccionadas com resíduos de tecidos de bancos de automóveis. Nas aulas, os alunos aprenderam a costura e desenvolvimento pessoal e profissional onde puderam desenvolver novas habilidades.

Empoderamento

Para Carina, entre os principais diferencias do projeto Sustent’Arte estão os conceitos de “empoderamento e geração de renda” trabalhados a partir da preocupação e do cuidado com o meio-ambiente. “A ideia é que os alunos continuem sendo empreendedores utilizando o conhecimento aprendido no curso. Inclusive, caso queiram, podemos ajudá-los na abertura de microempresas”.

Ainda segundo Carina, o Sustent’Arte faz uso do reaproveitamento, o que é diferente de reciclagem (cujo conceito aqui é o de recuperação da parte reutilizável dos dejetos do sistema de produção ou de consumo, como vidro, papelão ou plástico, para reintroduzi-los no ciclo de produção). “O Sustent’Arte baseia-se no reaproveitamento do resíduo, mantendo a estrutura original, porém transformando-o em uma nova realidade. Nós ensinamos a recriar, a dar uma nova função, com um novo olhar para determinado resíduo e isso é feito a partir de um estudo de mercado e com foco no poder de comércio do mesmo”, explica.

As empresas, indústrias e mesmo prefeituras interessadas no projeto poderão procurar qualquer uma das unidades do Sesi no Estado de São Paulo. O orçamento e a viabilidade serão estruturados a partir desse primeiro contato. O mesmo vale para informações referentes a carga horária ou quantidade de turmas a serem capacitadas. “Essa flexibilidade também é um diferencial porque permite que o projeto se encaixe de várias maneiras.”, diz Carina.