Publicado 01 de Outubro de 2019 - 13h21

Por France Press


CARL DE SOUZA/AFP

A cada 15 dias, Rui Junior dirige durante oito horas de sua Londrina natal até São Paulo para praticar sumô, esporte em que é o número 1 absoluto no Brasil.

Aos 25 anos e com 160 quilos, ele expõe as dificuldades que os praticantes dessa modalidade de luta milenar enfrentam no Brasil, onde é totalmente amador apesar de ser o país com a maior colônia japonesa fora do Japão.

"Há anos que preciso ir a São Paulo (para treinar). São 8 horas de ida e outras 8 de volta. Gasto bastante dinheiro, mas vale a pena, é uma coisa que eu gosto muito", explica à AFP.

Rui foi dez vezes campeão brasileiro e três vezes campeão sul-americano; é a grande atração dos treinos que a cada fim de semana são realizados no pavilhão Mie Nishi de São Paulo, o único ginásio público de sumô fora do Japão.

Nele, cerca de dez homens e mulheres, sendo que nenhum tem traços orientais, treinam juntos, sem separação por categoria. Com seus 'mawachis', os cinturões característicos que os lutadores usam, fazem o aquecimento no círculo em torno do 'dohyo', a arena onde vão tentar derrubar e expulsar um ao outro por meio de empurrões.

Mas o tamanho destes praticantes aficionados está longe daquele apresentado pelos enormes lutadores profissionais do Japão. Com sua espessa barba e a barriga redonda, Rui Junior se destaca entre os demais, alguns dos quais são bem magros.

Sem ninguém para treinar em Londrina, no Paraná, Rui Junior começou a jogar futebol americano para não perder a forma.

"Me ajuda na questão do contato, tenho que fazer um treino físico sozinho, porque o técnico é difícil. Embora eu tenha uma técnica razoável, preciso de alguém que me instrua, que me mostre onde eu erro", lamenta.

Sumô feminino no auge

Vários deles, inclusive Rui Junior, se preparam para disputar o Mundial de sumô, que será realizado em outubro em Osaka, no Japão.

Entre as mulheres, o principal nome brasileiro é Fernanda Rojas, de 40 anos e que se prepara para representar o país "pela sexta ou sétima vez" no Mundial.

Segundo ela, o sumô feminino ganhou espaço no Brasil "quando lutou para ser um esporte olímpico".

"Hoje tem bastante praticante no país, bastante lutadora, e a cada dia cresce mais, porque está nas escolas, com projetos escolares", ressaltou.

Rojas destaca o fato de que os treinamentos mistos ajudam homens e mulheres a melhorar.

"Os dois se beneficiam, porque os rapazes têm mais força, dependendo da categoria, mas precisam ter o domínio da técnica, a habilidade para fazer o movimento perfeito. Então não é só uma questão de força, é de habilidade também", explica.

Lutando contra preconceitos

Para ajudar a divulgar o sumô, o Brasil conta com um treinador enviado diretamente pelo governo japonês por meio da Japan International Cooperation Agency, conhecida como JICA.

Uma das jovens promessas do país é Guilherme Vaz, de apenas 17 anos e que participará pela primeira vez de um Mundial, na categoria peso médio.

"Estou muito animado, acho que tenho chances de voltar com uma medalha. Meus principais adversários são do Japão e da Mongólia", garantiu.

Vaz, cuja paixão pelo sumô vem de uma longa tradição familiar, também tem que viajar até São Paulo para treinar com outros atletas porque em sua região, próxima à maior cidade do Brasil, não há outros praticantes.

O jovem, que estuda e trabalha em um petshop, admitiu que tenta incentivar seus amigos a praticarem o sumô, "mas é um esporte cercado de muitos preconceitos".

"Alguns acham que é estranho lutar sem camisa, agarrando um homem... ninguém vem. Eu tento dizer que não é bem assim para tentar mudar a visão deles, mas é complicado", comentou.

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