Publicado 02 de Outubro de 2019 - 7h51

Por Henrique Hein

A superlotação do Hospital Mário Gatti testou a paciência de quem precisou ontem de atendimento

Wagner Souza/AAN

A superlotação do Hospital Mário Gatti testou a paciência de quem precisou ontem de atendimento

Pacientes que procuraram o Hospital Municipal Doutor Mário Gatti, em Campinas, precisaram contar uma dose extra de paciência durante praticamente todo dia de ontem para conseguir, ao menos, passar pelo serviço de triagem, que chegou a ter até 12 horas de espera. Por conta da demora, muita gente acabou indo embora sem ser atendido. Houve ainda quem passou a noite em claro aguardando o resultado de um laudo médico. A fila de espera superou a barreira das 150 pessoas no final da tarde. 

O ajudante geral Anderson Martins, de 22 anos, contou que passou o dia inteiro esperando para ser chamado. Ele chegou na unidade às 9h e até as 18h ainda não havia passado pela triagem. “Está um caos para todo mundo. Tem muita gente que foi embora e muitas outras que ainda nem passaram pelo acolhimento. Eu estou com suspeita de pneumonia e até agora não fui atendido”, comentou. “A gente vai no balcão e os atendentes falam que tem muitos casos de urgência passando na nossa frente hoje e que todos nós vamos ter que esperar mais de 12 horas para ser atendido”, ressaltou.

O comerciante Júlio César Lopes, de 51 anos, também chegou pela manhã com fortes dores no braço. No final da tarde, ele ainda aguardava ser chamado pelos médicos. “Eu estou indo embora. Cheguei aqui às 6h30 e ainda não fui atendido. Tenho um filho de dois anos para criar e minha esposa trabalha agora no período da noite. Não temos com quem deixá-lo e eu estou voltando para casa com o braço inchado e sem atendimento. Uma vergonha o que aconteceu”, afirmou.

Já a dona de casa Lucimara Raimundo, de 44 anos, foi até a unidade de saúde na segunda-feira à noite buscando um atendimento para o seu filho, que estava com fortes dores no abdômen. Até as 18h de ontem o garoto ainda aguardava o resultado de um exame, que havia sido feito às 10h30. “O primeiro exame dele foi feito às 6h15. Mas, ele precisou fazer outro porque os médicos perderam o exame inicial que ele já tinha feito”, disse. “A gente chegou aqui na segunda-feira às 22h e até agora estamos esperando uma reposta. Já são mais de 20 horas esperando por um exame que não fica pronto”, afirmou.

Em nota, a Rede Mário Gatti informou que as escalas de médicos do Hospital Mário Gatti estavam completas ontem, mas que os atendimentos de urgência e emergência são sempre tratados como prioridade. “O hospital trabalha em regime porta aberta e, dessa forma, atende todos os pacientes que procuram o serviço. Em relação ao tempo de atendimento, a Rede Mário Gatti esclarece que os pacientes que procuram os hospitais passam por triagem e classificação de risco. As urgências e emergências são prioridades. Por esse motivo, os pacientes classificados como casos de menor complexidade aguardam mais tempo por atendimento”, informou a nota.

Escrito por:

Henrique Hein