Publicado 03 de Outubro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

Escrevo a coluna horas antes de Grêmio x Flamengo, na expectativa de que o primeiro jogo da semifinal da Libertadores tenha sido digno do futebol ofensivo praticado pelas duas equipes. E também com o desejo de que a árbitro argentino Néstor Pitana tenha sido apenas um coadjuvante discreto de um grande espetáculo na Arena do Grêmio.

Afinal, a arbitragem anda roubando a cena na empolgante disputa do título do Brasileirão, no momento restrita ao líder Flamengo e ao Palmeiras, atual campeão.

Na rodada do final de semana, todo mundo no Palmeiras reclamou muito da utilização do VAR. E foi todo mundo mesmo: jogadores, técnico, presidente, ex-presidente e patrocinadora.

Destaco uma frase de Mano Menezes que resume bem o sentimento de todos eles: “O VAR não pode ter camisa”. O treinador palmeirense se referiu ao fato de o atacante Gabriel, do Flamengo, não ter sido expulso por ter dado um pisão na perna de Daniel Alves, no empate por 0 a 0 com o São Paulo.

Eu acho que uma expulsão seria justa, mas não considero absurda a decisão do árbitro, que mostrou apenas um cartão amarelo para Gabigol. É aceitável que o lance tenha sido interpretado como uma entrada imprudente e não uma agressão intencional.

Mano e o Palmeiras não iriam espernear tanto se a única interpretação duvidosa envolvendo partidas do rubro-negro fosse essa. Foi a desastrosa atuação da arbitragem de vídeo na rodada anterior que gerou essa sensação de que o VAR tem camisa.

No jogo Flamengo x Internacional, o zagueiro Rodrigo Caio cometeu um pênalti em Guerrero. Mais uma vez, é compreensível que o árbitro não tenha percebido no campo. Mas a imagem disponível para a equipe do VAR mostrou o lance com clareza. No mínimo, o árbitro deveria ser chamado para rever o lance na tela. É inadmissível que pelo menos essa atitude não tenha sido tomada.

Um erro como esse tem efeito prolongado. Depois de ter sido beneficiado de forma tão clara e injustificável, qualquer outra decisão “normal” fica polêmica.

Não há o que fazer sobre o que já passou e pode ser que no final de semana o Palmeiras seja beneficiado ou o Flamengo seja prejudicado. Erros de arbitragens são inevitáveis e o VAR foi criado para reduzi-los.

Mas a Comissão de Arbitragem da CBF deve trabalhar intensamente para qualificar sua equipe e impedir que decisões inexplicáveis coloquem em dúvida a lisura do campeonato. O VAR não pode ter camisa e não acredito que tenha. E não é aceitável nem mesmo que pareça ter.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho