Publicado 02 de Outubro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

O Guarani já jogou em casa contra Bragantino e Atlético-GO, os dois melhores times da Série B. Candidatos ao acesso, ambos foram derrotados no Brinco de Ouro por um Guarani que virou o turno de lanterna na mão e hoje, semanas depois, se orgulha de ter a segunda melhor campanha do returno.

As duas vitórias foram completamente diferentes e uma análise do desempenho contra paulistas e goianos ajuda a entender como o time conseguiu dar esse impressionante salto na tabela.

Quando venceu o Bragantino, o Guarani era dirigido por Roberto Fonseca. O time lutou muito para equilibrar o primeiro tempo, que terminou sem chances de gol.

Na etapa final, o Guarani não conseguiu marcar com a mesma eficiência. Os visitantes tiveram domínio total: exigiram cinco defesas difíceis de Klever, mandaram uma bola na trave e criaram outras chances claras.

Do outro lado, Júlio César não conseguiu defender a única bola que foi em direção a sua meta, após um cabeceio preciso de Michel Douglas. Final: Guarani 1 x 0 Bragantino.

Na segunda-feira, agora sob o comando de Thiago Carpini, o time voltou a vencer um candidato ao acesso. O Atlético-GO defendia uma invencibilidade de dez partidas. Nas últimas três, sequer levou um gol.

O Guarani precisou de apenas 10 minutos para marcar. Aos 32’, fez 2 a 0 com jogada muito bem construída por Michel Douglas, Davó e Crispim, artilheiro da noite. Ainda no 1º tempo, o Bugre acertou a trave. No 2º, sentiu o desgaste da maratona de quatro partidas em nove dias, mas ainda assim manteve o controle.

Foram duas vitórias completamente diferentes. Na primeira, o time contou com uma atuação excepcional de seu goleiro, teve sorte em diversos lances (é raro o Bragantino sair de campo sem marcar) e aproveitou sua única chance. Foi um resultado importante, mas na sequência o futebol pobre não resultou na conquista de pontos e Fonseca foi demitido.

Nas mãos de Carpini, o time se transformou. O mesmo Guarani que tinha enorme dificuldade para levar a bola de uma intermediária a outra passou a marcar em quase todos os jogos. E a defesa, muito castigada e criticada até então, comemora hoje uma invencibilidade de cinco partidas.

O Guarani venceu o Bragantino porque contou com fatores do acaso que estão mais presentes no futebol do que em qualquer outro esporte. E o Guarani venceu o Atlético-GO porque agora é um time bem treinado e confiante. Carpini conseguiu transformar defeitos em virtudes. A diferença entre as duas vitórias explica o salto na tabela.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho