Publicado 02 de Outubro de 2019 - 23h30

Por AFP

O presidente peruano, Martín Vizcarra, procurava novos ministros nesta quarta-feira (2) para reorganizar seu gabinete, depois de dissolver o Congresso e antecipar as eleições legislativas, fortalecido pela renúncia de sua vice-presidente e adversária Mercedes Aráoz, considerada inválida pelo governo.

À frente do novo gabinete de 19 membros, Vizcarra nomeou Vicente Zevallos, que era da Justiça, que afirmou que, do ponto de vista constitucional, a renúncia de Aráoz "não existe", ela continua sendo vice-presidente (embora não seja a "presidente encarregada" indicada por um Congresso dissolvido).

"[Aráoz renunciou] diante do presidente do Congresso (Pedro Olaechea) e o Congresso não existe, foi dissolvido", disse Zevallos, que substituiu Salvador del Solar como chefe de gabinete.

O líder da oposição Pedro Olaechea, presidente da Comissão Permanente do Congresso, de 27 membros, que continua a funcionar após a dissolução em virtude da carta magna, admitiu que o órgão não tem o poder de aceitar a demissão de Aráoz.

Por esse motivo, Olaechea apenas ordenou que apenas se "registrasse" a existência da carta de renúncia de Aráoz na ata da sessão desta quarta-feira, a primeira após a dissolução.

A sessão contou com a presença de parlamentares de esquerda que apóiam a dissolução, mas depois eles se retiraram deixando apenas os opositores.

Os parlamentares da oposição aprovaram por unanimidade (21 votos) uma resolução para recorrer ao Tribunal Constitucional para resolver a legitimidade da dissolução do Congresso.

Após ser dissolvido na segunda-feira, o Congresso aprovou a suspensão de Vizcarra e nomeou a vice-presidente Aráoz como "presidente encarregada", tomando posse em seguida perante Olaechea. No entanto, no dia seguinte, ela renunciou aos dois cargos.

Del Solar e os outros membros do gabinete tiveram que renunciar na segunda-feira, depois que o Congresso negou um voto de confiança ao governo vinculado a uma reforma no Tribunal Constitucional. Após a recusa, Vizcarra fechou o Legislativo, controlado pela oposição, e convocou eleições para renová-lo.

Zevallos realizou reuniões com potenciais candidatos aos cargos, mas se recusou a revelar seus nomes. Ele disse apenas que o novo gabinete será anunciado na quinta-feira.

"Amanhã (quinta-feira) será divulgado, estamos em plena avaliação" dos candidatos, disse à rádio RPP.

Além da esfera política, a crise não gerou caos ou tensões, e todas as atividades ocorrem normalmente no país, desde aulas nas escolas até visitas turísticas.

Apesar da normalidade, dissolver o Congresso não é comum e desperta suspeitas.

"A crise política e o choque institucional no Peru vinham se formando há muito tempo. Embora a decisão de Vizcarra fosse questionável, ele provavelmente tinha poucas opções", disse Michael Shifter, presidente do Centro Interamericano de Estudos de Diálogo, com sede em Washington.

"Ou o Congresso tentaria tirá-lo dos tribunais ou ele se movimentaria primeiro e dissolveria o Congresso", disse Shifter.

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