Publicado 02 de Outubro de 2019 - 19h16

Por AFP

O presidente peruano, Martín Vizcarra, estava procurando novos ministros na quarta-feira para reorganizar seu gabinete, depois de dissolver o Congresso e antecipar as eleições legislativas, fortalecido pela renúncia de sua vice-presidente e rival Mercedes Aráoz.

À frente do novo gabinete de 19 membros, Vizcarra nomeou Vicente Zevallos, que era da Justiça, substituindo Salvador del Solar e provavelmente confirmará vários de seus ex-ministros em seus cargos.

Del Solar e os outros membros do gabinete tiveram que renunciar na segunda-feira, depois que o Congresso negou um voto de confiança ao governo vinculado a uma reforma no Tribunal Constitucional. Após a recusa, Vizcarra fechou o Legislativo, controlado pela oposição, e convocou eleições para renová-lo.

Zevallos realizou reuniões com potenciais candidatos aos cargos, mas se recusou a revelar seus nomes. Ele disse apenas que o novo gabinete será anunciado na quinta-feira.

"Amanhã (quinta-feira) será divulgado, estamos em plena avaliação" dos candidatos, disse à rádio RPP.

Além da esfera política, a crise não gerou caos ou tensões, e todas as atividades ocorrem normalmente no país, desde aulas nas escolas até visitas turísticas.

Apesar da normalidade, dissolver o Congresso não é comum e desperta suspeitas.

"A crise política e o choque institucional no Peru vinham se formando há muito tempo. Embora a decisão de Vizcarra fosse questionável, ele provavelmente tinha poucas opções", disse Michael Shifter, presidente do Centro Interamericano de Estudos de Diálogo, com sede em Washington.

"Ou o Congresso tentaria tirá-lo dos tribunais ou ele se movimentaria primeiro e dissolveria o Congresso", disse Shifter.

Em um país com instituições fracas, o horizonte permanecerá conflitivo, estima o analista, pelo menos até as eleições de janeiro.

Embora o Congresso tenha sido dissolvido na segunda-feira, sua Comissão Permanente, composta por 27 membros, permanece no cargo, incluindo 18 "fujimoristas".

A Comissão é presidida pelo chefe do Legislativo, o opositor Pedro Olaechea, mas tem poderes restritos.

A Constituição apenas o habilita a ratificar a nomeação de alguns funcionários e aprovar créditos, entre outras tarefas, mas não a lidar com reformas constitucionais ou fazer moções contra o governo.

Depois de ser dissolvido na segunda-feira, o Congresso aprovou a suspensão de Vizcarra e nomeou a vice-presidente Aráoz como "presidente interina", que foi imediatamente empossada por Olaechea.

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