Publicado 02 de Outubro de 2019 - 16h46

Por AFP

A humilhação histórica (7-2) sofrida em seu próprio estádio contra o Bayern de Munique na terça-feira, cinco meses depois de chegar à final da Liga dos Campeões, pode provocar o fim do casamento entre Tottenham e Mauricio Pochettino. O argentino se encontra em uma encruzilhada.

Alguns podem achar que essa final perdida contra o Liverpool (2-0) é o pior que poderia ter acontecido ao time londrino. O técnico muitas vezes gostaria de esquecê-la.

"Talvez minha mensagem seja um pouco tediosa, mas o futebol se joga hoje, não ontem (...) É preciso fazer as coisas hoje e amanhã. Não são as experiências ou o que aconteceu há três meses o que conta", respondeu o treinador um pouco irritado a um jornalista que mais uma vez perguntou onde estavam os Spurs da temporada passada.

Mas ao ver o placar final, a pergunta que todos se fizeram foi: onde foi parar o Tottenham dos primeiros 30 minutos, que pressionou bem o Bayern e criou várias chances de gol?

Pochettino tentou apresentar argumentos válidos para explicar o desastre, começando pela insolente efetividade dos alemães: "Estamos decepcionados. Cada toque de bola do Bayern foi preciso. Marcaram em cada chute".

Um discurso talvez justificado pela emoção, mas os números não mentem: o Bayern marcou 7 gols quando as estatísticas dizem que o número de gols esperados por esse número de chutes deveria ser de apenas 2,1.

O time da Baviera marcou três gols em dez minutos para passar de um 1 a 1 para um 4 a 1 e outros três gols em cinco minutos para passar de um 4-2 ao 7-2 final, o que maximizou a dor de cabeça dos Spurs.

Mas além da goleada, existem problemas visíveis ou menos visíveis que afetam o time do norte da capital britânica.

No cargo desde 2014, Pochettino é o sexto treinador mais longevo nas cinco grandes ligas europeias. Logo, é legítimo pensar em um desgaste de sua mensagem aos jogadores e de seus métodos.

E também em seu cansaço e em sua convicção, ou não, de que ainda pode melhorar o desempenho de um time ao qual conseguiu levar muito longe. Além disso, clubes maiores, como o Manchester United, parecem dispostos a abrir as portas para o argentino.

Principalmente porque o Tottenham faz retoques a conta-gotas em seu elenco a cada ano e certos desejos não satisfeitos de sair do clube parecem afetar o interior do grupo, como no caso de Christian Eriksen que parece carregar o peso do sonho de jogar em Madri.

"Quando você tem uma equipe desestabilizada, é sempre difícil. (o que precisamos é) uma boa mentalidade, solidariedade e a energia de estar todos juntos, não que cada um tenha sua própria agenda na equipe", explicou apontando claramente o dinamarquês após a humilhante eliminação nos pênaltis na Copa da Liga inglesa contra o modesto Colchester (da 4ª divisão), há uma semana.

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