Publicado 02 de Outubro de 2019 - 16h01

Por AFP

O cheiro inconfundível de maconha recebe os clientes do Lowell Farms em Los Angeles, o primeiro coffeeshop (café dedicado à cannabis) dos Estados Unidos, que espera concorrer com os famosos estabelecimentos desse tipo em Amsterdã.

O estabelecimento, localizado em West Hollywood, tem capacidade para 240 pessoas e está aberto para maiores de 21 anos, a idade mínima para beber e consumir maconha na Califórnia.

Em um cardápio aparecem listados todo tipo de produtos, desde baseados até comestíveis e bebidas.

Os funcionários ajudam os clientes a navegar entre os produtos, dando conselhos a conhecedores e novatos sobre as opções de maconha - incluindo sabor e potência - que mais combinam com sua comida... como quando se recomenda um vinho.

Os baseados são vendidos a partir de 18 dólares, mas também há concentrados altamente potentes, como os "dabs", distinguíveis por sua textura similar ao vidro quebrado, e comestíveis, além de acessórios como bongs.

"É incrível ser parte da história, nunca pensei que seria", disse a chef Andrea Drummer no restaurante, na segunda-feira. "É importante ter um espaço seguro para consumir, em um ambiente comunitário. O único outro lugar assim que sei que existe é em Amsterdã".

Ela disse que vários clientes haviam viajado a Los Angeles de diferentes pontos do país e que inclusive um casal veio da Grã-Bretanha para participar da grande inauguração na terça-feira.

O lançamento do café ocorre à medida que cada vez mais estados dos Estados Unidos legalizaram a maconha nos últimos anos, tanto com fins medicinais como recreativos. A droga continua, porém, sendo ilegal em nível federal.

Na Califórnia, que tem o maior mercado legal de maconha do mundo, a maconha recreativa foi legalizada em 2018, o que desencadeou uma frenética corrida de empresários para tirar proveito dessa indústria bilionária.

Outros sete estabelecimentos como o Lowell Farms devem abrir em breve em West Hollywood, uma cidade que praticamente está incrustada em Los Angeles e que é uma das primeiras do país a adotar o conceito.

"É uma grande ideia e acredito que a normalização da maconha é algo que deveríamos fazer", disse Derek Bollella, de 22 anos, um estudante de negócios que dirigiu 45 minutos nesta segunda para fazer parte dos poucos afortunados que conseguiram um lugar no Lowell.

"Se você vai a Amsterdã, há um desses a cada três metros", acrescentou enquanto fumava um baseado e comia nachos com guacamole.

Antonela Balaguer, de 23 anos, outra cliente, sentada perto com um amigo, comemorou que enfim haja um café onde os clientes possam consumir maconha enquanto desfrutam de um "boa comida para drogados".

"Provavelmente poderia vir aqui todos os dias", disse. "Consumiria maconha todos os dias se pudesse".

Drummer disse que os 40 anfitriões do restaurante foram treinados para estar atentos aos clientes e garantir que eles podem tolerar a maconha que pediram e que nada saia do controle.

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