Publicado 02 de Outubro de 2019 - 13h01

Por AFP

A Coreia do Norte disparou um míssil balístico de um submarino na quarta-feira, um dia após Washington e Pyongyang anunciarem o iminente reinício das negociações bilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano.

Parte do projétil aparentemente caiu nas águas da Zona Econômica Exclusiva do Japão, que cobre 200 milhas náuticas de seu litoral, de acordo com Tóquio.

Pode tratar-se de um Pukguksong, ou seja, um míssil balístico marítimo-terrestre (SLBM), lançado de um submarino e que Pyongyang começou a testar em 2016, de acordo com o Estado-Maior da Coreia do Sul.

O projétil subiu quase na vertical, até 910 km de altura, e percorreu 450 km antes de cair no mar, segundo a mesma fonte.

O lançamento foi feito das proximidades da cidade oriental de Wonsan em direção ao mar do Japão (que sul-coreanos e norte-coreanos chamam de Mar do Leste).

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA pediu à Coreia do Norte que "se abstenha de provocações" e permaneça "comprometida com negociações substanciais e duradouras" que tragam estabilidade e desnuclearização.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, instruiu seus ministros a investigar o que aconteceu, segundo fontes oficiais.

Em um breve contato com a imprensa, o próprio Abe apontou que "o lançamento de mísseis balísticos viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e, portanto, nós o condenamos e expressamos nosso firme protesto".

Na véspera, uma alta fonte diplomática norte-coreana disse que Pyongyang concordou em manter conversações em nível de grupos de trabalho com Washington ainda esta semana.

As duas partes concordaram em manter uma reunião de "contatos preliminares" no dia 4 de outubro e negociações de trabalho no dia seguinte, segundo a vice-ministra norte-coreana das Relações Exteriores, Choe Son Hui, citada pela agência de notícias oficial KCNA.

"Espero que estas reuniões em nível operacional acelerem o desenvolvimento positivo das relações entre a República Popular e Democrática e os Estados Unidos", declarou a vice-ministra.

O anúncio da Coreia do Norte foi confirmado pelos Estados Unidos pouco depois.

As negociações entre Pyongyang e Washington estão paradas desde o fiasco da segunda cúpula, realizada em fevereiro em Hanói, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente americano, Donald Trump.

Os dois líderes se encontraram novamente em junho, na Zona Desmilitarizada (DMZ). Esta região separa as duas Coreias desde o final da guerra (1950-53).

Neste breve encontro, ambos concordaram em retomar o diálogo sobre o programa nuclear de Pyongyang, um pouco mais de um ano após a primeira cúpula Trump-Kim em Singapura.

Até esta data, porém, as discussões não foram retomadas.

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