Publicado 02 de Outubro de 2019 - 11h30

Por AFP

A polícia iraquiana atirou para o alto, nesta quarta-feira (2), para dispersar novas manifestações em Bagdá, apesar de o presidente do país e a ONU terem pedido calma após a morte de três manifestantes.

Submetido a seu primeiro teste popular depois de chegar ao poder há quase um ano, o governo de Adel Abdel Mahdi acusou "agressores" e "sabotadores" de "terem causado vítimas deliberadamente".

Nesta quarta-feira, segundo constataram jornalistas da AFP, houve disparos nas manifestações organizadas nos bairros de Al-Shaab, ao norte da capital, e Zaafaraniya, no sul.

Em Zaafaraniya, onde os manifestantes queimaram pneus, um jornalista da AFP ouviu tiros. Na terça-feira, situação parecida se alongou por várias horas na Praça Tahrir, no centro da cidade, onde o movimento começou.

Ontem, pela primeira vez desde o estabelecimento do governo do primeiro-ministro Mahdi, mil pessoas protestaram em Bagdá e em outras cidades do país.

Essas manifestações não têm partido, nem líder religioso, e são motivadas pela deficiência dos serviços públicos e pelo desemprego.

Os protestos foram dispersos à força: primeiro, com jatos d"água; depois, com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Em Zaafaraniya, o jornaleiro Abdullah Walid, de 27 anos, disse à AFP que saiu às ruas nesta quarta "em apoio aos irmãos na Praça Tahrir", fechada pelas forças de segurança.

"Queremos empregos, melhores serviços públicos. Exigimos isso há anos e o governo nunca nos respondeu", justificou, contrariado, em uma rua onde veículos blindados estão estacionados.

Mohamed al-Juburi, que também trabalha como jornaleiro, reclama da situação, em meio às colunas de fumaça preta que sobem dos pneus queimados no bairro de Al-Shaab.

"Nenhum Estado ataca seu povo como este governo. Somos pacíficos e eles atiram em nós", lamentou.

No dia anterior, na capital, a polícia usou suas armas contra os manifestantes. Dois deles morreram, e mais de 200 ficaram feridos. Uma terceira pessoa, atingida na dispersão do protesto, não resistiu aos ferimentos e faleceu nesta quarta-feira.

O presidente do Iraque, Barham Saleh, pediu no Twitter que as manifestações sejam pacíficas e que a polícia "proteja os direitos dos cidadãos".

"Nossos jovens querem reformas e querem trabalho. É nosso dever satisfazer esses desejos legítimos", disse o chefe de Estado.

A representante da ONU no Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, mostrou-se "muito preocupada" com essa tensão nas ruas e pediu às autoridades que "ajam com moderação".

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