Publicado 01 de Outubro de 2019 - 22h30

Por AFP

O presidente peruano, Martín Vizcarra, confirmou seu poder, nesta terça-feira (1º), ao obter o apoio de milhares de cidadãos, da cúpula militar e dos governadores regionais, um dia depois de dissolver o Congresso dominado pela oposição, que reagiu suspendendo o chefe de Estado.

O popular presidente dissolveu o Parlamento, invocando normas constitucionais, após o Legislativo ter-lhe negado um voto de confiança ligado a uma reforma do procedimento de designação de magistrados do Tribunal Constitucional.

O Congresso respondeu horas depois. Aprovou a suspensão temporária de Vizcarra da presidência e, em seu lugar, designou a vice-presidente Mercedes Aráoz.

Aráoz, que passou esta terça-feira em seu apartamento, declarou a rede de televisão CNN que se o Tribunal Constitucional validar a dissolução do Congresso ela acatará a decisão.

Os congressistas estão considerando a possibilidade de recorrer ao Tribunal Constitucional para reverter a medida presidencial, apesar de desconfiarem dos magistrados daquele tribunal, disse o líder do parlamento Pedro Olaechea.

As principais lideranças políticas no Congresso solicitaram apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) para reverter a dissolução, mas o órgão continental respondeu que este era um assunto interno que cabe ao Tribunal Constitucional do Peru (CT).

Olaechea disse que tentou, sem sucesso, dialogar com Vizcarra.

"Desde que assumi a presidência (em julho passado), construí pontes para o presidente Martín Vizcarra, mas ele não queria falar porque o Congresso executivo é corrupto, porque os legisladores pertencem a partidos corruptos", afirmou.

O clima de tensão se concentrou no Palácio de Governo e no Congresso, fortemente protegidos pela polícia, com mais restrições de entrada do que habitualmente.

Por meio da Conferência Episcopal, a Igreja pediu diálogo e calma, e uma atuação "de acordo com a ordem constitucional e democrática".

A cúpula empresarial acusou Vizcarra de perpetrar uma "violação da Constituição e ao sistema democrático". Os líderes do Congresso também o acusam de ter dado um "golpe de Estado".

A Secretaria Geral da Organização de Estados Americanos (OEA) disse nesta terça-feira que o Tribunal Constitucional do Peru deve se pronunciar sobre a decisão do presidente Martín Vizcarra de dissolver o Congresso, dominado pela oposição, e convocar novas eleições parlamentares.

"A Secretaria Geral da OEA considera que compete ao Tribunal Constitucional do Peru se pronunciar sobre a legalidade e legitimidade das decisões institucionais adotadas", disse a entidade em comunicado.

Coloridas e barulhentas marchas em apoio à dissolução aconteceram na noite de segunda-feira em Lima e nas cidades de Huancayo, Cuzco, Arequipa, Puno, Trujillo, Moquegua e Tacna, entre outras.

Ninguém foi às ruas apoiar o Congresso, que enfrenta uma rejeição de quase 90% da população, segundo pesquisas.

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