Publicado 01 de Outubro de 2019 - 21h46

Por AFP

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fará na quarta-feira (1) uma "proposta final" à União Europeia para obter um acordo sobre o Brexit "justo e razoável", anunciaram seus serviços na noite de terça-feira (1), advertindo, no entanto, que a oferta seria para pegar ou largar.

O chefe de governo vai revelar suas propostas formais na quarta-feira em seu discurso de encerramento do congresso do Partido Conservador em Manchester, no noroeste da Inglaterra.

"Se Bruxelas não iniciar o diálogo com esta proposta, então este governo deixará de negociar até que tenhamos deixado a UE", sem acordo, em 31 de outubro, informaram os serviços do premiê em um comunicado.

"Sob nenhuma circunstância, o primeiro-ministro negociará o prazo" do Brexit, acrescentou o texto, embora o Parlamento tenha votado uma lei que o obriga a pedir um novo adiamento caso não chegue a um acordo até 19 de outubro, às vésperas da próxima cúpula europeia.

O Reino Unido decidiu no referendo há mais de três anos sair da União Europeia e devia tê-lo feito em março passado. Mas diante do repúdio do Parlamento britânico ao acordo negociado pela anterior primeira-ministra, Theresa May, a data foi adiada duas vezes até 31 de outubro.

O carismático e polêmico Johnson, que chegou ao poder no final de julho ao substituir May como líder do Partido Conservador, quer renegociar com a UE o ponto mais conflitante do texto: a chamada "salvaguarda irlandesa" ou como evitar uma nova fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, um país membro da UE.

Seu objetivo é preservar o frágil acordo de paz na Sexta-feira Santa, que, em 1998, encerrou três décadas de sangrento conflito na Irlanda do Norte, mas Londres e Bruxelas não concordam com a forma de alcançá-lo.

Na terça-feira vazaram à imprensa várias versões das propostas de Johnson.

Uma delas contemplava realizar controles alfandegários em instalações levantadas a poucos quilômetros da linha fronteiriça, o que irritou o governo irlandês.

Johnson declarou à BBC que o publicado "não é exato". São "documentos técnicos que não estavam nas nossas propostas finais à Comissão Europeia", disse depois perante o Parlamento o secretário de Estado encarregado do Brexit, James Duddridge.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, recebeu com satisfação que Johnson descarte tais ideias. Caso contrário, teria demonstrado que o governo britânico atua "de má fé", afirmou, em alusão a especulações segundo as quais Johnson buscaria fazer fracassar a negociação para justificar um Brexit abrupto.

À tarde, Johnson deu alguns detalhes de sua proposta em uma série de entrevistas televisionadas: "estes controles não têm que ser feitos na fronteira (...) não tem que informar novas infraestruturas, mas (...) é preciso ter algum tipo de controles".

"Podem ser controles entre o importador e o exportador, o remetente e o receptor", reportou ao canal ITV, considerando que "há boas chances de se chegar a um acordo".

No entanto, "a negociação será difícil", admitiu em declarações à emissora BBC. "Esta é a hora da verdade", disse à Sky News.

Escrito por:

AFP