Publicado 01 de Outubro de 2019 - 11h15

Por AFP

Por ocasião dos 70 anos do regime comunista, o governo chinês exibiu nesta terça-feira (1º) suas novas armas - entre mísseis, drones e bombardeiros -, com as quais deseja compensar seu atraso tecnológico frente aos Estados Unidos e aspirar a um papel de superpotência global.

O desfile militar deste 1º de outubro ilustrou a modernização do Exército desejada pelo presidente Xi Jinping, a qual espera ver alcançar um nível de "classe mundial" até 2049. Nesta data, completa-se o centenário da República Popular.

"As novas armas nucleares apresentadas refletem consideráveis progressos", disse à AFP Adam Ni, especialista do Exército chinês na Universidade Macquarie, de Sydney.

"São cada vez mais móveis, resistentes, confiáveis, precisas e de alta tecnologia", afirma Ni, acrescentando que "a dissuasão nuclear da China ganha credibilidade em relação aos Estados Unidos".

Os dois países estão em lados opostos no mar da China meridional, onde lutam por impor sua influência. Além disso, desde 2018, ambos travam uma guerra comercial de consequências imprevisíveis.

Neste contexto, Pequim apresentou o melhor de seus mísseis balísticos intercontinentais: o imenso DF-41 ("Vento do Leste-41").

De grande alcance (14.000 quilômetros), pode chegar ao território americano e pode ser carregado com várias ogivas nucleares (de três a dez, segundo os especialistas).

A grande vantagem do DF-41 é que, apesar de seus 20 metros de cumprimento, é móvel e pode ser escondido em qualquer lugar do país. Os mísseis balísticos nucleares da geração anterior tinham de ser lançados de pontos fixos.

Nesta terça, a China apresentou uma nova versão de seu estratégico bombardeiro, o H6-N, que seria capaz de transportar armas atômicas a distâncias maiores do que seus predecessores.

Outro armamento que ganhou destaque na parada militar foi o míssil balístico mar-terra JL-2 ("onda gigante-2"), carregado em um submarino e que pode alcançar o Alasca e o oeste dos Estados Unidos.

"A China continuará mantendo um pequeno, mas eficaz arsenal nuclear. O objetivo é garantir uma dissuasão nuclear e uma resposta crível em caso de ataque de um terceiro país", diz à AFP Cui Yiliang, analista e editor da revista chinesa "Xiandai Jianchuan", especialista em armamentos.

A outra "estrela" do desfile foi o míssil DF-17, que pode, uma vez alcançada a altitude necessária, soltar um "planador hipersônico", uma arma capaz de voar a 7.000 km/h.

Em um informe divulgado em meados de setembro, o serviço de pesquisa do Congresso americano manifestou sua preocupação com o fato de os Estados Unidos sofrerem um atraso em relação à China no que se refere a estes planadores hipersônicos.

Com todas estas novas armas, o Exército chinês "reduz a distância com os Estados Unidos e limita as vantagens militares de Washington na Ásia", avalia Adam Ni.

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