Publicado 01 de Outubro de 2019 - 11h00

Por AFP

Os Estados Unidos confirmaram, nesta terça-feira (1º), que retomarão as negociações sobre a questão nuclear com a Coreia do Norte nos próximos dias, relançando o processo diplomático oito meses após o fracasso da cúpula de Hanói.

"Posso confirmar que as autoridades dos EUA e da RPDC (Coreia do Norte) planejam se reunir na próxima semana", disse Morgan Ortagus, porta-voz do Departamento de Estado, sem dar detalhes.

Antes, Pyongyang havia anunciado uma reunião de trabalho sobre a questão nuclear com Washington até o final desta semana.

As duas partes concordaram em manter uma "reunião de contato preliminar" em 4 de outubro e negociações de trabalho um dia depois, afirmou a vice-ministra das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choe Son-hui, em um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias KCNA.

"Meu desejo é que essas reuniões de trabalho conduzam à evolução positiva das relações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos", afirmou a vice-ministra, sem informar o local onde as discussões devem acontecer.

As negociações entre Pyongyang e Washington estão paradas desde o fiasco da segunda cúpula, realizada em fevereiro em Hanói, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente americano, Donald Trump.

Os dois líderes se encontraram novamente em junho, na Zona Desmilitarizada (DMZ). Esta região separa as duas Coreias desde o final da guerra (1950-53).

Neste breve encontro, ambos concordaram em retomar o diálogo sobre o programa nuclear de Pyongyang, um pouco mais de um ano após a primeira cúpula Trump-Kim em Singapura.

Até esta data, porém, as discussões não foram retomadas.

Pyongyang não escondeu sua decepção com a recusa dos Estados Unidos a cancelarem suas manobras militares com Seul.

As relações melhoraram quando o então conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, conhecido por seu tom severo em relação à Coreia do Norte, deixou o governo.

Na questão norte-coreana, este "falcão" detestado por Pyongyang havia defendido um "modelo líbio". Nele, em troca da suspensão das sanções, a Coreia do Norte deveria abandonar todas as suas bombas nucleares e seus mísseis.

Essa comparação com a Líbia de Muammar Khaddafi, que terminou morto em um levante apoiado por bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), provocou a fúria de Pyongyang.

O próprio Donald Trump considerou que essa comparação fez as negociações com a Coreia do Norte "recuarem seriamente".

Especialistas disseram que a demissão de Bolton pode ter contribuído para a decisão norte-coreana de dialogar.

Na sexta-feira, a Coreia do Norte elogiou Trump, em oposição a outros políticos de Washington "obcecados" com a exigência de uma desnuclearização norte-coreana unilateral.

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