Publicado 01 de Outubro de 2019 - 9h31

Por AFP

Um manifestante de Hong Kong foi ferido por um tiro nesta terça-feira em Hong Kong, durante uma manifestação pró-democracia por ocasião do "Dia da Dor", convocado para contrapor com as comemorações do 70º aniversário da fundação da República Popular da China.

Um policial disparou com munição real contra o manifestante, que foi ferido no peito, durante confrontos entre as forças de segurança e militantes.

"O policial atirou após ser atacado e atingiu uma pessoa no peito (...)", afirmou uma fonte policial que pediu anonimato.

O ferido foi atendido no local e levado para um hospital, onde 15 outras pessoas foram tratadas por ferimentos. Uma delas está em estado grave, informou uma porta-voz do hospital, que não especificou se era o manifestante ferido por bala.

Hong Kong, região do sul da China, vive sua mais grave crise política desde sua retrocessão a Pequim, em 1997. Nos últimos quatro meses, a ex-colônia britânica foi palco de manifestações quase diárias para exigir reformas democráticas e denunciar a crescente interferência de Pequim.

Os manifestantes também denunciam a violação, segundo eles, do princípio de "um país, dois sistemas", que lhes concede liberdades desconhecidas no resto da China continental e que foram acordadas no momento da devolução.

Nesta terça-feira, enquanto a China comemorava o 70º aniversário da criação da República Popular, proclamada pelos comunistas em 1949, o movimento pró-democracia convocou em Hong Kong novas manifestações para expressar sua rejeição ao regime chinês.

Este "Dia da dor" foi organizado essencialmente através das redes sociais.

Os manifestantes de Hong Kong dirigiram-se ao escritório de representação da China em Hong Kong, que geralmente é alvo dos protestos.

Em seguida, jogaram ovos contra um retrato do presidente chinês Xi Jinping e arrancaram cartazes comemorando o 70º aniversário do regime comunista.

Após os violentos confrontos registrados no domingo, as autoridades se colocaram em alerta desde o início do dia para impedir que os manifestantes perturbassem as comemorações, com revistas de transeuntes e uma dúzia de estações de metrô fechadas.

Apesar da proibição de manifestação pelas autoridades e avisos à população para evitar "reuniões ilegais", os manifestantes se reuniram na parte da tarde em Causeway Bay.

Este distrito comercial tornou-se palco de confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes radicais.

Em frente aos muitos shopping centers e lojas fechadas, os manifestantes gritavam: "Vamos apoiar Hong Kong, vamos lutar pela liberdade".

Também houve manifestações menores no bairro de Wanchai e em frente ao consulado britânico, bem como nas zonas de Sha Tin e Tsuen Wan.

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