Publicado 29 de Setembro de 2019 - 14h37

Por France Press

Desde quinta-feira, cerca de 5.000 franceses, alguns deles muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu

AFP

Desde quinta-feira, cerca de 5.000 franceses, alguns deles muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu

Os franceses prestam, neste domingo (29), uma homenagem popular a seu ex-presidente Jacques Chirac, figura política do país durante quatro décadas, que faleceu na quinta-feira (26) e foi reconhecido como "profundamente francês", tanto por suas qualidades quanto por seus defeitos.

O tributo popular foi organizado no Palácio dos Inválidos, em Paris, um dia antes de um dia de luto nacional e uma cerimônia oficial na presença de inúmeras personalidades estrangeiras.

A morte de Chirac, "o humanista", uma figura mítica da direita francesa que estava doente há anos e que pouco aparecia em público, comoveu o país que presidiu por 12 anos (1995-2007), depois de ter sido prefeito de Paris entre 1977 e 1995.

Desde quinta-feira, cerca de 5.000 franceses, alguns deles muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu, onde deixaram elogios fervorosos e expressaram sua "ternura" e admiração por Chirac.

O ex-presidente será sempre lembrado por ter se oposto à guerra do Iraque em 2003, por ter reconhecido a responsabilidade da França na deportação judeus durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e por sua frase "nossa casa está queimando", um alerta sobre a situação climática lançado em 2002.

Segundo uma pesquisa publicada no Journal du Dimanche, Chirac, cuja popularidade não parou de crescer desde que deixou o Eliseu em 2007, tornou-se o presidente da Quinta República mais amado pelos franceses, empatado com Charles de Gaulle .

Muitos preferem não mencionar as questões judiciais de quem, em 2011, se tornou o primeiro ex-presidente francês a ser condenado (dois anos de prisão com suspensão da pena, por um caso de empregos fantasmas na prefeitura de Paris).

"Ele tinha um lado humano que nem todo mundo tem atualmente na política [...] Não era alguém perfeito, mas é por isso que gosto tanto dele", disse no sábado à AFP Thibaud, 23 anos.

A afeição demonstrada por seus concidadãos se deve "mais" ao "que era" do que "ao que fez", considerou o jornal conservador Le Figaro.

"Ele se ajustou às contradições de um país", acrescentou o jornal, para o qual o ex-chefe de Estado "era profundamente francês, com suas virtudes e fraquezas".

O pátio do Palácio dos Inválidos, um monumento que abriga, entre outros, o túmulo de Napoleão, será aberto ao público a partir das 14h00 (9h00 de Brasília) para quem quiser se despedir do ex-presidente.

O caixão estará na entrada da catedral Saint-Louis-des-Invalides.

Líderes estrangeiros

Nesta segunda-feira (30), dia de luto nacional, uma cerimônia reservada à família será realizada pela manhã antes das honras militares, na presença do atual chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

Ao meio-dia, um serviço solene presidido por Macron será realizado na igreja de São Sulpício, em Paris.

A presença de numerosas personalidades estrangeiras é esperada, com cerca de 30 chefes de Estado e de governo anunciados.

Entre eles, o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o russo Vladimir Putin, o italiano Sergio Mattarella e os primeiros-ministros do Líbano, Saad Hariri, e da Hungria, Viktor Orban. Também estarão presentes líderes da época em que Chirac esteve no poder, como o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.

Ás 15h, um minuto de silêncio será observado nas escolas e repartições públicas.

Além de seus dois mandatos como presidente da República e três como prefeito de Paris, Jacques Chirac também foi primeiro-ministro duas vezes (1974-1976 e 1986-1988), fundou dois partidos conservadores - RPR e UMP -, ministro em várias ocasiões desde os 34 anos e deputado de Corrèze (centro).

Ao longo de sua carreira, o falecido ex-presidente permaneceu fiel à sua rejeição à extrema direita, sua preocupação com a coesão nacional e sua visão gaullista da política internacional da França, considerada uma potência equilibrada que dialogava com todos os atores.

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