Publicado 30 de Setembro de 2019 - 5h30

Fabiula Nascimento é o retrato da potência da mulher. A fala grave e assertiva, sempre ponderando possibilidades e revendo caminhos, é sinônimo de uma atriz que sabe exatamente seu tamanho e tem orgulho de suas conquistas. No ar como a valente Cacau, de Segundo Sol, ela ressalta a importância do empoderamento feminino e celebra a possibilidade de desempenhar, também na tevê, uma personagem dona de seu destino. “Todo dia eu tenho de explicar para alguém que o feminismo não é o contrário do machismo. E acho que a Cacau é um bom exemplo de uma mulher feminista, que é dona das suas próprias escolhas.” Por isso, quando recebeu o convite para atuar no atual folhetim das nove, Fabiula não titubeou. “Na primeira leitura da sinopse, me interessei muito porque é uma mulher real. Não dá mais para só representar essa personagem. Ela tem de estar na sociedade, nos representando”, torce.

Com 40 anos – destes, 22 dedicados ao ofício –, a atriz curitibana garante que o reconhecimento alcançado através das novelas não enche muito seus olhos. “Acho que sucesso na profissão é quando você vive bem e paga suas contas”, diz. Por isso, ela continua priorizando outras frentes em sua carreira. Depois de muitas participações na Globo, ficou conhecida do grande público após dar vida a Olenka, de Avenida Brasil, também de João Emanuel Carneiro, que assina Segundo Sol. “Claro que é muito legal trabalhar em uma emissora como essa. Mas acho importante fazer teatro, como faço, e ainda tenho quatro filmes para lançar. Estou sempre plantando a minha carreira, independentemente do veículo.”

Apesar da experiência que adquiriu em todos esses anos de carreira, Fabiula garante que é supercriteriosa com as suas sequências. Mas não fica se martirizando quando não gosta do resultado que vê na tevê. “Tenho muita preocupação com a entrega. No que isso vai reverberar, não depende de mim. Então procuro fazer da melhor forma que eu posso e aguardar o que vem”, diz. Por isso, para ela, o jogo de cena é extremamente importante para um bom resultado. Dessa forma, a atriz prioriza a troca com seus colegas e procura conversar com eles sempre, mesmo fora dos estúdios. “Ninguém faz nada sozinho. Essa profissão tem de ser recheada de generosidade. Não hesito em passar uma dica para um colega e acho incrível quando fazem o mesmo comigo”, declara.

Reviravolta

Em Segundo Sol, a trajetória de Cacau sofreu muitas reviravoltas. Desde que saiu da fictícia Boiporã, a personagem correu atrás de seu sonho e hoje tem um reconhecido restaurante em Salvador. Vive às voltas para fazer o melhor para seus sobrinhos, Manu e Ícaro, de Luísa Arraes e Chay Suede, para ajudar sua irmã, a mocinha Luzia, interpretada por Giovanna Antonelli, e dividida entre os amores pelos irmãos Edgar e Roberval, defendidos por Caco Ciocler e Fabrício Boliveira. “É uma trama que aborda a vingança, mas de uma forma solar. A gente fala mais sobre juntar os pedaços do que de espatifar as coisas. Só tenho escutado coisas boas nas ruas”, diz, animada.

Para interpretar uma personagem que viveu altos e baixos, Fabiula precisou fazer uma ampla composição. De leituras com o elenco até uma imersão com os atores que desempenham papéis no seu núcleo, tudo colaborou para que ela encontrasse o tom exato para a cozinheira. A construção externa, que diz respeito ao corpo e à caracterização, também foi fundamental para o processo. Sem atuar em novelas desde o fim de Velho Chico, em 2016, ela fez participações em produções globais, se dedicou ao teatro e também ao corpo. (Da TV Press)