Publicado 29 de Setembro de 2019 - 19h05

A palavra Dabke significa bater o pé no chão. Sua origem está relacionada às necessidades dos povos árabes de reparo e construção dos telhados de suas casas que eram feitas de barro. Os donos das casas juntamente com seus vizinhos reuniam-se sobre a laje das residências. Segurando as mãos e formando uma fila batiam com seus pés sobre o teto para reacomodar o barro. Com o tempo, esse ritual de ajuda mútua se tornou conhecido como Daloonah, uma forma improvisada de cantar e dançar o Dabke.

Posteriormente, instrumentos como o derback, nay, tabal e o mijwiz foram incorporados a fim de estimular os homens expostos ao tempo frio a produzir mais energia. Com o passar do tempo, o Dabke tornou-se uma das mais famosas tradições do Líbano. Uma pequena mostra dessa cultura poderá ser vista na apresentação Dabke na Estação que ocorre na tarde deste domingo, na gare do CIS-Guanabara, com entrada franca.

A dança faz parte do folclore de países como Líbano, Síria, Palestina, Jordânia e em regiões do Iraque e Arábia Saudita, além de algumas tribos de beduínos que viveram perto do Líbano.

No Brasil, o Dabke estilo libanês é o que mais predomina, devido a grande imigração ocorrida entre os séculos 19 e 20. Essa predominância não ocorre por acaso: o Brasil é o país com maior concentração de libaneses e descendentes fora do Líbano.

O Dabke é dançado em grupo por uma longa linha de pessoas (sem distinção alguma de sexo ou idade) que se dão às mãos e se movem em círculo aberto, ou ao longo de uma extensa linha. Segundo um dos organizadores do grupo, Sérgio Sauda, os integrantes dançam acompanhando o ritmo da música forte e animada, marcando o tempo da melodia batendo com os pés. Mas também pode ser dançado em dupla ou até mesmo solo. “O Dabke representa a união e é dançado com muita alegria. No Brasil, muitas apresentações ocorrem em confraternizações, como aniversários e casamentos”, afirma Sauda.

A apresentação, com a coordenação da agente cultural Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros, tem o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), da Unicamp, que administra o espaço. O CIS é sediado em dois imóveis recuperados do conjunto arquitetônico da antiga Estação Guanabara, construídos no final do século 19 pela extinta Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Considerados ícones da cidade e tombados como patrimônio histórico, arquitetônico e cultural de Campinas em 2004, foram restaurados pela Unicamp, em parceria com a iniciativa privada em 2008 e, desde então, abriga as atividades do Centro Cultural Unicamp. (De Unicamp Notícias)