Publicado 29 de Setembro de 2019 - 5h30

Mesmo sem ter uma data definida para apresentação dos planos de segurança e de emergência da barragem no Rio Jaguari, em Pedreira, as obras seguem rápidas com a escavação da área onde o reservatório será construído e do canal de desvio do rio. A barragem ocupará uma área de vazão de drenagem de 930 quilômetros quadrados e terá 26 milhões de metros cúbicos de volume útil, permitindo, segundo o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), o aumento da vazão garantida, de 5,9 mil litros por segundo para 8,2 mil litros.

A barragem está sendo construída em aterro compactado e terá altura máxima de 50 metros. O conjunto prevê tomada de água seletiva, para a retirada de água da superfície do reservatório. Haverá também uma escada de transposição de peixes, e um vertedouro tipo escada de concreto, com capacidade de vazão de 1,54 metros cúbicos por segundo.

Os planos de segurança e de emergência da barragem, cobrados por vereadores, prefeito e moradores, ainda não têm prazo para ser apresentado à Defesa Civil e à população. A previsão inicial é que seriam divulgados no final de julho. Segundo o Daee, os planos preliminares estão concluídos e em fase de revisão, mas ainda não há uma data definida para a apresentação ao debate.

O prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes (PSB) tentou na Justiça interromper as obras, mas sem sucesso. Em fevereiro ele embargou as obras, mas o Daee conseguiu na Justiça a liberação, e elas não chegaram a ser paralisadas.

A exigência dos planos de segurança e de emergência ganhou força após o desastre em Brumadinho. Vereadores apresentaram projetos para impedir a construção da barragem, mas foram vetados pelo prefeito, por inconstitucionalidade. Manifestações também vêm ocorrendo em Pedreira, contra a construção.

O enchimento da barragem, segundo estimativa do Daee, será concluído em julho de 2021. A construção de uma barragem no Rio Jaguari integra projeto do governo do Estado para garantir reserva de água bruta para a região de Campinas. O investimento será de R$ 256 milhões, sendo R$ 231 milhões na construção da barragem e R$ 25 milhões na desapropriação da área do lago.

Outra barragem está prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, mas não tem prazo de início previsto, porque o Daee ainda não conseguiu a outorga para o barramento por causa da qualidade da água, que tem alta concentração de fósforo. Para que a água possa ser utilizada, haverá necessidade de melhorar o tratamento de esgoto das cidades situadas ao longo do rio.

Em 2016, a Agência Nacional de Águas indeferiu o pedido de outorga preventiva com base em análise que mostram que o represamento do Rio Camanducaia geraria problemas de perda de qualidade da água, com a chamada eutrofização - desastre ambiental que pode ocorrer num lago ou reservatório pela concentração de nutrientes. O enriquecimento com nutrientes, como fósforo, conduz a uma proliferação exagerada da flora aquática, mau cheiro, mortandade de peixes, mudança na biodiversidade aquática e contaminação da água por toxinas.