Publicado 29 de Setembro de 2019 - 5h30

Metade dos brasileiros desaprova a maneira do presidente Jair Bolsonaro governar o País. É o que mostra pesquisa feita pelo Ibope e divulgada na última quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de pessoas que desaprovam a maneira de Bolsonaro governar oscilou de 48% em junho para 50% este mês. Desde janeiro, a aprovação do governo vem caindo na série do Ibope: era de 67% em janeiro e caiu 23 pontos. A desaprovação, por outro lado, subiu 29 pontos: foi de 21% para 50%.

Há várias reflexões que podem ser feitas a partir da pesquisa. Em primeiro lugar, há que se lembrar que Bolsonaro ascendeu ao poder carregando a esperança de mais de 57,8 milhões de eleitores, o equivalente a 55% dos votos válidos da eleição de outubro passado. Era natural que as primeiras pesquisas trouxessem um patamar de aprovação robusto. Igualmente natural que os números oscilem, para baixo, diante da imensa dificuldade que o País atravessa por conta da prolongada crise econômica, que interfere no cotidiano do brasileiro, mexendo com seus humores, saúde e orçamento.

Só para lembrar, estudo elaborado pelo Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS), de Campinas, e divulgado na última segunda-feira, Dia de Combate ao Estresse, apontou que a dificuldade financeira é a situação que mais afeta emocionalmente os brasileiros. Foram ouvidos 2,9 mil adultos no Brasil, durante 60 dias, no final do ano passado.

No contexto desta pressão psicológica é também esperado um rigor na avaliação dos entrevistados, sobretudo depois de passada a lua-de-mel da vitória do capitão reformado do Exército. A expectativa para que o País, enfim, decole traz essa ansiedade coletiva, uma perturbação geral, de Norte a Sul, independente do tamanho do PIB que o setor representa.

Feitas essas observações, a pesquisa CNI/Ibope pode estar indicando, na verdade, uma frustração e não necessariamente uma rejeição. Mas é bom o governo Bolsonaro atentar-se para um fato inexorável da política, em qualquer tempo: a paciência acaba e recuperar a confiança do eleitor pode ser tarefa árdua, já que, a rigor, o Brasil segue polarizado — 55% dos entrevistados dizem não confiar no presidente Jair Bolsonaro. O índice era de 51% em junho.

O levantamento também pode ser interpretado como sinal de que o discurso bélico de Bolsonaro — há várias situações explícitas — não ajuda na conciliação e na calmaria. E essa postura, de certa forma, explica o índice ruim de aprovação. Não contribui para o debate a tática de debochar da pesquisa sem enxergar além dela. É preciso maturidade para refletir em qualquer dos lados da ideologia política.