Publicado 07 de Setembro de 2019 - 5h30

Os Alcoólicos Anônimos (A.A.) do Brasil com apoio da Socicam, concessionária responsável pela administração da rodoviária de Campinas, Terminal Intermodal Ramos de Azevedo, realizam desde ontem, uma campanha no local com objetivo de conscientizar a população sobre os malefícios do consumo excessivo e contínuo de bebidas alcoólicas. A ação, realizada das 6h às 22h, prossegue até amanhã. Integrantes do A.A. estão à disposição das pessoas oferecendo orientações e esclarecimentos sobre os sintomas da dipsomania, doença caracterizada pela compulsão em ingerir bebidas alcoólicas. Além disso, incentivam a procura de ajuda especializada.

Quem passar próximo aos guichês das empresas de ônibus pode-se retirar panfletos informativos da iniciativa e compartilhar suas próprias experiências por meio de conversas particulares. Levantamentos recentes realizados pela Coordenadoria de Prevenção às Drogas, órgão ligado à Secretária de Segurança de Campinas, revelam que a cada 100 casos atendidos, 95 estão ligados ao consumo abusivo de álcool. Sem contar a alta incidência de acidentes, os danos causados vão desde distúrbios de conduta até a doenças em diversos órgãos, podendo levar ao coma e à morte.

Orlando Pedro, metalúrgico aposentado de 64 anos, que reside no Jardim do Lago, revelou com orgulho que no último dia 1º completou 24 anos sem ingerir bebidas alcoólicas. Em suas palavras, é importante falar sobre o tema, porque todos precisam se conscientizar sobre as consequências que essa dependência pode ter. "Adotei o programa como uma filosofia para viver sóbrio", enfatizou. "Com a minha experiência posso afirmar: o alcoolismo não é um beco sem saída", completou. Para Pedro, essa demanda é da sociedade e o A.A. é um suporte essencial para quem precisa de ajuda. Por fim, garante que "a bebida afeta principalmente o convívio familiar e seu desempenho profissional".

Já Elias, morador do Parque dos Eucaliptos, conhecido condomínio do Jardim Londres, próximo ao Hospital da PUC, preferiu preservar seu sobrenome. Contudo, foi claro ao afirmar que essa doença não tem cura e precisa ser tratada continuamente. "Há 13 anos deixei de ingerir o primeiro gole", comentou com orgulho. "Se o alcoólatra se afastar do A.A. vai para o copo", assegurou. O idoso, de 70 anos, destaca que essa luta não é simples, porque depende muito da força de vontade de quem está enfrentando o problema.

No local onde o atendimento está sendo prestado na rodoviária, foram colocadas duas mesas, uma delas do Grupos Familiares Al-Anon, um programa de 12 passos para familiares e amigos de alcoólicos. Essa irmandade esclarece que o alcoolismo prejudica todos os integrantes da família, não só o alcoólatra.