Publicado 01 de Outubro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

O Palmeiras reclamou muito da arbitragem do Brasileirão. O lance que a princípio provocou maior insatisfação (anulação de um gol contra o Inter) até foi bem digerido depois da partida. Mas também teve muita reclamação sobre a utilização do VAR com critérios diferentes, principalmente nas partidas do Flamengo, líder e principal adversário na briga pelo título.

Hoje vou escrever apenas sobre o gol anulado. As polêmicas decisões tomadas (ou não tomadas) pela arbitragem de vídeo em jogos do Flamengo serão abordadas até o final de semana.

O gol que daria a vitória ao Palmeiras sobre o Inter foi corretamente anulado por Bráulio da Silva Machado. No começo da jogada, a bola resvalou no braço de William, que inclusive sofreu falta. O juiz deu vantagem e a bola sobrou para Lucas Lima, que rolou para Bruno Henrique na esquerda. Livre, o volante bateu forte e fez um gol que deixaria o Palmeiras a apenas um ponto da liderança.

Alertado pelo VAR, Bráulio reviu o lance e anulou o gol por causa do leve toque de William, que não teve influência na jogada. A decisão foi correta porque a Fifa mudou a regra no início da temporada. A determinação é para que todo gol seja anulado quando ocorrer qualquer tipo de toque. Não importa se foi sem intenção ou se o braço estava junto ao corpo.

A nova regra é clara, mas a considero extremamente injusta. Se a Fifa considera que um gol como o de domingo no Beira-Rio deve ser anulado apenas porque houve um toque irrelevante — e que não deu ao Palmeiras nenhuma vantagem no lance —, então deveria utilizar o mesmo critério na defesa.

Não acho lógico que a regra trate jogadores de linha com critérios diferentes. Se no ataque uma equipe não pode usar a mão em nenhuma situação para marcar um gol, por que a defesa pode, em situações específicas, evitar um gol com a mão?

Imagino que a Fifa não usa o mesmo critério na defesa para impedir que atacantes tentem, o tempo todo, chutar a bola de propósito nos braços dos defensores. Faz sentido, já que seria absurdo marcar pênaltis assim.

O lógico, porém, seria usar o mesmo critério em qualquer situação. É injusto que um gol seja anulado por uma ação involuntária e que não deu nenhuma vantagem ao atacante. Se certo tipo de toque de mão é permitido aos defensores, não faz o menor sentido punir os atacantes de forma tão dura em situações idênticas.

O gol do Palmeiras foi corretamente anulado pelo árbitro no Beira-Rio. Mas a regra nova da Fifa é muito ruim e insensata.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho