Publicado 30 de Setembro de 2019 - 17h45

Por AFP

O primeiro-ministro sudanês, Abdalah Hamdok, em visita à França, se reuniu no domingo com o chefe de um dos principais grupos rebeldes de Darfur, Abdel Wahid Nur, um "estágio essencial" para a paz naquele país, segundo o presidente francês. Emmanuel Macron.

Exilado na França, Abdel Wahid Nur dirige o Exército de Libertação do Sudão (SLA-AW), que luta contra Cartum desde 2003.

O conflito em Darfur deixou mais de 300.000 mortos e 2,5 milhões de deslocados desde 2003, segundo a ONU. O Sudão entrou em um período de transição, depois de décadas de autoritarismo sob Omar Al Bashir, deposto pelo Exército em 11 de abril por pressão popular.

Em agosto, um Conselho Soberano assumiu a função de supervisionar a transição para um governo civil. Hamdok está no cargo há mais de um mês.

"Facilitamos a entrevista que o primeiro-ministro Hamdok realizou ontem [domingo] com Abdel Wahid Nur, que está em nosso país. A decisão de aceitar esta entrevista que vocês queria, é uma boa decisão e acho que a etapa superada ontem é uma etapa essencial", disse Macron nesta segunda-feira durante uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro sudanês.

"Graças ao apoio de amigos como o presidente Macron, acho que estamos dando os primeiros passos na boa direção a essa paz. A França é o único país que pode nos unir e prova disso é a reunião que organizamos com Abdel Wahid Nur", disse Hamdok na coletiva.

"Tivemos conversas muito profundas. Pensei que seria uma reunião de meia hora e conversamos por quase três horas. Abordamos as raízes da crise no Sudão, as possibilidades de uma solução e, com isso, lançamos as primeiras pedras para esta construção da paz", acrescentou o primeiro-ministro sudanês.

O líder rebelde de 50 anos Abdel Wahid Nur agradeceu ao presidente Macron por permitir a reunião, a pedido de Hamdok, disse ele.

"Permitimos um avanço", comentou, referindo-se à reunião, mas informou que seu movimento "não reconhece" o Conselho soberano. No entanto, disse que aceitou se reunir com Hamdok "não como primeiro-ministro, e sim como indivíduo e figura política do país".

Abdel Wahid Nur afirmou que Hamdok e ele pretendem se reunir novamente no futuro e que consultará suas bases sobre o mapa do caminho a ser seguido com o primeiro-ministro.

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