Publicado 30 de Setembro de 2019 - 17h45

Por AFP

Os estilistas pararam de olhar as ruas da Paris Fashion Week para se inspirar nos livros de história e na moda aristocrática: vestidos armados, perucas e fitas se destacaram nos desfiles de moda de marcas como Loewe, Thom Browne e Vivienne Westwood.

Um dos desfiles mais aplaudidos nesta maratona de nove dias, que acaba nesta terça-feira, foi sem dúvidas o da marca de origem espanhola Loewe. O fato de mergulhar nos padrões do século XVI e XVII lhe rendeu a admiração do The Guardian, que augurou um exitoso futuro às peças desenhadas pelo norte-irlandês Jonathan Anderson.

A "influência desta coleção chegará longe", podendo inclusive "dominar a próxima década", escreveu no jornal britânico a crítica de moda Hannah Marriott, após o desfile de sexta-feira na sede da Unesco.

Loewe propôs para a próxima primavera-verão delicados vestidos com rendas e transparências, resolutamente modernos. Mas em uma vontade de "explorar os quadris" os arrematou com crinolinas, assim como rufos, em uma clara referência ao passado.

Os detalhes históricos desta coleção se transformaram nos protagonistas do desfile de prêt-à-porter do extravagante Thom Browne, que recriou um ambiente versalhesco, com perucas cônicas coroadas por véus e anáguas.

O influente chapeleiro britânico Stephen Jones, que participou nesta coleção inspirada no personagem histórico de Madame de Pompadour, estimou que a moda está reivindicando um pouco mais de pompa.

"Houve esta ideia generalizada" de que a moda tinha que ser "prática", coisa que fez com que as roupas urbanas inundassem as passarelas nas últimas temporadas, disse Jones, colaborador habitual de marcas de luxo como Dior, Schiaparelli e Valentino. "Mas acredito que o que as pessoas querem agora é fantasia".

Ainda mais exagerados foram os volumes dos vestidos de festa da Balenciaga, de cores metálicas e laços extragrandes, como se se tratasse de personagens femininos de um conto de fadas.

"Acabaram-se os vestidos minimalistas, a tendência agora são os vestidos de festa tipo princesa futurista", destacou a edição francesa da revista Vogue.

Bella Hadid atraiu todos os olhares com um inesperado vestido fúcsia de cauda, assinado pelo "rei" da moda urbana Virgil Abloh para sua marca Off White. A modelo também exibiu um exuberante guarda-sol fazendo conjunto com um vestido branco de tule com armação no desfile da Vivienne Westwood, outra coleção inspirada no século XVIII e no universo de Mozart.

O belga Dries Van Noten também deixou de lado seus padrões minimalistas em busca de volume e exuberância. Para isso, associou-se com o icônico estilista francês Christian Lacroix, que há uma década abandonou a alta-costura para se dedicar ao figurino de obras de teatro e ópera.

Inspirada no filme de Stanley Kubrick "Barry Lyndon", a dupla apresentou uma coleção com penteados de plumas, babados e vestidos pomposos.

"A moda às vezes é muito misteriosa", refletiu Jones. "Todas estas pessoas que pensam a mesma coisa ao mesmo tempo, deve ser por algum motivo", acrescentou.

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