Publicado 30 de Setembro de 2019 - 17h45

Por AFP

O líder da oposição Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela e reconhecido no cargo por mais de 50 países, classificou nesta segunda-feira (30) como "crimes" as recentes agressões contra imigrantes venezuelanos no Peru, mas eximiu o governo peruano de qualquer responsabilidade.

"Devem ser classificados como crimes, a perseguição por serem de onde são ... O governo do Peru se pronunciou imediatamente, eximindo-se, é claro", disse Guaidó numa entrevista coletiva.

Referindo-se ao espancamento de uma jovem venezuelana divulgada nas redes sociais, o líder parlamentar pediu uma "reflexão sobre os pequenos grupos que cometem esses crimes" e enfatizou que esses são "casos específicos" que devem ser tratados como "crimes".

Nesta segunda-feira, o presidente socialista Nicolás Maduro acusou o presidente peruano, Martín Vizcarra, de cumplicidade com "setores neonazistas que promovem a xenofobia, o despreço e a violência contra o povo que vive no Peru".

Estas críticas já tinham sido feitas pelo governo Maduro no domingo, dois dias depois de um protesto na localidade de Tacna, na fronteira com o Chile, no qual os manifestantes gritaram frases como "Maduro, recolhe o teu lixo!".

Mas a administração do presidente peruano classificou como infundadas essas acusações e disse que o "regime ilegítimo e ditatorial" de Maduro é o "único responsável pela catástrofe humanitária na Venezuela".

As autoridades peruanas informaram na quarta-feira que até setembro passado expulsaram 890 venezuelanos que ingressaram irregularmente no país. Além disso, 245 foram proibidos de entrar por conta de antecedentes criminais.

A percepção em Lima, onde vivem cerca de 10 milhões de pessoas, é que existe uma relação entre o aumento do crime e a presença de um grande número de venezuelanos, segundo pesquisa da consultoria Ipsos.

Por conta da grave crise na Venezuela, vivem no Peru mais de 850 mil venezuelanos, dos 3,6 milhões que migraram desde 2016, segundo a ONU.

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