Publicado 30 de Setembro de 2019 - 17h31

Por AFP

O papa Francisco manifestou sua disposição a contar com fiéis, homens e mulheres, aos quais confiará "um ministério" dedicado à leitura da Bíblia, uma medida que promove o papel da mulher dentro da Igreja sem abrir a porta ao sacerdócio.

Embora com frequência as mulheres sejam convidadas a ler textos durante a missa, elas não têm uma missão explícita outorgada pela Igreja.

Francisco publicou nesta segunda-feira uma carta apostólica que estabelece "o domingo da Palavra de Deus", com o objetivo de ilustrar a Bíblia aos fiéis católicos.

O dia dedicado à Bíblia não deve ser "uma vez ao ano", adverte Francisco, "porque urge a necessidade de ter familiaridade e intimidade com a Sagrada Escritura e com o Ressuscitado, que não para de repartir a Palavra e o Pão na comunidade dos fiéis", escreveu.

Para o pontífice é fundamental fazer todo o possível para capacitar alguns fiéis para que "anunciam a Palavra com a preparação adequada", acrescentou no documento, conhecido como "motu proprio".

Um membro da Cúria, encarregado de esclarecer o significado desta carta papal, especificou que esses fiéis laicos, especialmente treinados, poderiam ser tanto homens como mulheres.

"Sabemos o que acontece em nossas igrejas: a primeira pessoa disponível é chamada a ler", explicou o bispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

"A palavra de Deus deve encontrar pessoas, mulheres e homens, que sejam capazes de uma palavra genuína e uma compreensão do texto sagrado para proclamá-lo", acrescentou Fisichella em uma entrevista transmitida pelo Vaticano.

Em um sínodo dedicado à Bíblia realizado no fim de 2008, os bispos haviam apoiado a criação de um "ministério para os leitores" aberto às mulheres.

Mas o papa da época, Bento XVI, não acolheu essa proposta.

A ideia agora é contar com mais homens e mulheres, sobretudo em territórios isolados, onde precisa-se de sacerdotes.

O tema será abordado durante o sínodo ou assembleia de bispos da Amazônia, que começará em 7 de outubro no Vaticano.

O documento preparatório sugere "identificar o tipo de ministério "oficial" que pode ser conferido às mulheres".

Os religiosos se questionam também sobre a possibilidade de ordenar homens casados, entre eles indígenas, como sacerdotes, ideia muito criticada pelos setores católicos conservadores.

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