Publicado 30 de Setembro de 2019 - 10h31

Por AFP

O acampamento de migrantes de Moria, na ilha grega de Lesbos, acordou nesta segunda-feira após o violento incêndio e uma longa noite de tumultos ema intalação asfixiado pela chegada constante de novos refugiados.

As autoridades gregas confirmaram a morte de uma refugiada no incêndio que, segundo os migrantes, começou num pequeno comércio ambulante.

Mas, de acordo com a imprensa grega, um cobertor queimado encontrado ao lado da mulher morta conteria resíduos de pele que poderiam pertencer ao bebê da falecida, um recém-nascido.

Dezessete migrantes feridos - nove homens, seis mulheres e duas crianças, incluindo um bebê - foram transportados para o Hospital de Mytilene, de acordo com o ministério da Saúde.

"Tal tragédia podia acontecer a qualquer momento no acampamento de Moria", lamentou Kostas Moutsouris, prefeito do norte do Mar Egeu (que inclui Lesbos).

"Trata-se de uma estrutura que acolhe mais de 12.000 pessoas de diferentes culturas", acrescentou no site Newsbomb.

"A situação é muito trágica", acrescentou à AFP Boris Cheshirkov, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Grécia, considerando "extremamente urgente acelerar as transferências para o continente".

Desde a multiplicação de chegadas nas últimas semanas nas ilhas do Mar Egeu a partir da Turquia, Moria abriga 13.000 migrantes, para uma capacidade de 3.000.

Neste acampamento à beira de asfixia pela superlotação, os exilados se revoltaram contra as autoridades e provocaram tumultos durante a madrugada, subindo nos contêineres e nas paredes do centro de abrigo.

A polícia disparou gás lacrimogêneo contra a multidão, irritada com a demora dos bombeiros em extinguir o incêndio, disseram eles a um correspondente da AFP.

Esta manhã, a situação parecia mais calma, mas com uma presença policial reforçada, segundo Astrid Castelein, porta-voz do ACNUR em Lesbos.

"Muitos policiais chegaram hoje. Checam os documentos das pessoas, olham dentro dos contêineres... tudo isso nos estressa ainda mais", confirmou Farid, um jovem afegão por telefone à AFP.

"Muitos refugiados estão tristes e estressados. Têm medo de um novo acidente", disse ele.

Para o ACNUR, "o incêndio ocorreu em um contexto de aumento de chegadas" de migrantes da vizinha Turquia.

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