Publicado 30 de Setembro de 2019 - 10h30

Por AFP

O atual primeiro-ministro afegão Abdullah Abdullah, principal adversário do chefe de Estado Ashraf Ghani, reivindicou nesta segunda-feira a vitória nas eleições presidenciais de sábado.

"Temos o maior número de votos nessas eleições", disse Abdullah durante uma entrevista coletiva na qual afirmou que "não haverá segundo turno".

A Comissão Eleitoral Independente (CIS) ainda não divulgou os números da participação nessas eleições, cujos resultados preliminares serão publicados em 19 de outubro.

Um dos diretores da comissão, Habib Rahman Nang, reagiu imediatamente às declarações de Abdullah para lembrar que "nenhum candidato tem o direito de reivindicar vitória".

"De acordo com a lei é a Comissão Eleitoral Independente que decide quem é o vencedor", afirmou o chefe da comissão.

Abdullah Abdullah já havia contestado os resultados das eleições de 2014, marcadas por irregularidades e que levaram a uma grave crise política.

Após a intervenção dos Estados Unidos, o problema foi resolvido com a concessão do cargo de primeiro-ministro a Abdullah.

O primeiro turno das presidenciais ocorreu sem muitos incidentes, mas com uma baixa participação dos eleitores.

Inúmeros observadores independentes estimaram que as eleições foram mais transparentes e mais bem organizadas que as anteriores.

"Os resultados serão anunciados pela CEI, mas obtivemos o maior número de votos", afirmou Abdullah.

O diretor da comissão eleitoral lembrou que "a CEI anunciará os resultados preliminares primeiro (em 19 de outubro) e, em seguida, o comitê de reclamações examinará as queixas que forem submetidas e os resultados finais serão anunciados (em 7 de novembro) pela CEI".

Dezoito candidatos disputam o cargo de chefe de Estado e cerca de 9,6 milhões de eleitores foram convocados para participar das eleições.

Se nenhum dos candidatos receber mais de 50% dos votos, será realizado um segundo turno.

O medo de ataques e fraudes influenciou a abstenção, de acordo com muitos testemunhos dos cidadãos.

O Talibã havia multiplicado as advertências, a fim de dissuadir os eleitores de ir às urnas.

Os insurgentes reivindicaram 531 ataques em todo o país no fim de semana.

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