Publicado 29 de Setembro de 2019 - 17h45

Por AFP

O jovem líder conservador Sebastian Kurz, 33, venceu as eleições legislativas austríacas deste domingo (29), segundo pesquisas, o que poderia permitir o seu retorno à chancelaria, em um cenário político alterado pela forte queda da extrema direita e o retorno dos Verdes.

Quatro meses depois de ter sido destituído pelo escândalo "Ibizagate", Kurz venceu sua aposta: seu partido, o conservador OVP, obteve 37,2% dos votos, um resultado quase seis pontos melhor do que em 2017, segundo projeções da emissora pública ORF.

Seu primeiro governo, formado em 2017 com os ultradireitistas do FPO, não resistiu a revelações comprometedoras sobre o chefe desta formação e número dois do governo. O Executivo se desfez em maio, após 18 meses de legislatura, o que levou à convocação de eleições antecipadas.

Os austríacos castigaram o FPO por este escândalo, que manchou a imagem do país: o partido de extrema direita teria perdido cerca de 10 pontos em relação às eleições de 2017, obtendo cerca de 16% dos votos e ficando atrás dos social-democratas, que terminaram em segundo lugar, com cerca de 22%.

Em uma campanha onde os desafios climáticos substituíram a questão migratória, que dominou as eleições legislativas de 2017, os Verdes registraram uma ascensão fulgurante e retornarão ao Parlamento após dois anos, com entre 13 e 14% dos votos, segundo as projeções. O partido liberal NEOS foi a quinta força do Parlamento, com cerca de 7% dos votos.

O ex-chanceler Kurz terá que negociar para encontrar aliados com quem governar. Segundo pesquisas, ele teria a possibilidade de formar uma coalizão com os social-democratas, com a ultradireita ou com os Verdes, três opções que se prevêem perigosas para o jovem dirigente, que prometeu aos austríacos um Executivo estável.

O ex-chanceler evitou expressar durante a campanha suas preferências, para poder ter o máximo de margem de manobra. Já o FPO afirmou que está se preparando para ser oposição. Seu líder, Norbert Hofer, declarou à imprensa austríaca acreditar que o resultado significa que o partido não participará das negociações para a formação de um governo de coalizão.

- Do azul ao verde? -

Vários nomes influentes do OVP pressionam nos bastidores para que se estude seriamente um retorno da aliança com a centro-esquerda, uma fórmula que governou a Áustria por 44 anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o ex-chanceler sabe que perderia popularidade entre os eleitores que não querem nem ouvir falar nessa "velha dupla", desgastada por divergências e inimizades.

Os "azuis", cor do FPO, foram castigados pelos eleitores por causa do escândalo provocado pelo caso Ibizagate, ao qual se somaram, nos últimos dias de campanha, suspeitas de desvio de fundos dentro do partido.

Os esforços de seu novo líder, Norbert Hofer, para apagar os abusos de seu antecessor, Heinz-Christian Strache, não deram os frutos esperados e a formação de extrema direita ficou em uma posição ruim para propor uma nova aliança aos conservadores.

A coalizão entre os conservadores e a ultradireita, alcançada em dezembro de 2017 e que se apresentava como um modelo a seguir para a Europa ante a ascensão dos nacionalismos, implodiu após 18 meses.

Em maio, a imprensa alemã revelou um vídeo filmado com uma câmera escondida em Ibiza (Espanha) em 2017, em que Strache era visto propondo participações em mercados públicos a uma pessoa supostamente ligada a um oligarca russo. Em troca, pedia apoio financeiro.

Strache teve que renunciar e Kurz expulsou o FPO de seu governo. Alguns dias depois, o próprio Kurz foi destituído como chefe do Executivo por meio de uma moção de censura.

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