Publicado 29 de Setembro de 2019 - 13h30

Por AFP

O jovem líder conservador Sebastian Kurz, de 33 anos, venceu as eleições legislativas austríacas deste domingo (29), de acordo com as projeções, selando seu provável retorno à Chancelaria, em um cenário político abalado pela queda da extrema direita e pelo esmagador retorno dos Verdes.

Quatro meses depois de ser destituído pelo escândalo "Ibizagate", Kurz vê seu partido conservador obter cerca de 37% dos votos, um resultado quase seis pontos melhor do que em 2017, segundo projeções da emissora pública ORF.

A popularidade de Kurz, de fato, não sofreu com a tempestade que em maio fez cair seu primeiro governo, formado com o Partido da Liberdade da Áustria (FPO, extrema direita).

Essa coalizão, alcançada em dezembro de 2017 e apresentada como modelo para a Europa diante da ascensão dos nacionalismos, implodiu após 18 meses.

A aliança não sobreviveu às revelações comprometedoras do então chefe do FPO e número dois do governo, Heinz-Christian Strache, um escândalo batizado de "Ibizagate".

E, nessas eleições, o FPO foi sancionado pelo escândalo, perdendo cerca de dez pontos em relação à 2017, com cerca de 16% dos votos. Chega, assim, atrás dos social-democratas, que com 22% ficou em segundo.

Em maio, a imprensa alemã revelou um vídeo filmado com uma câmera escondida em Ibiza (Espanha) em 2017, em que Strache era visto propondo participações em mercados públicos a uma pessoa supostamente ligada a um oligarca russo. Em troca, pedia apoio financeiro.

Strache teve que renunciar e Kurz expulsou o FPO de seu governo. Alguns dias depois, o próprio Kurz foi destituído como chefe do Executivo por meio de uma moção de censura.

"Houve muito caos nos últimos meses, esperamos algo menos caótico", disse à AFP Clara Heisinger, eleitora que votou em uma faculdade no centro de Viena.

Com esses resultados, o partido de Kurz, o OVP, renovará a aliança com o Partido Austríaco da Liberdade (FPO)?

Kurz vai preferir uma coalizão mais sensata com os social-democratas? Ou vai operar um giro de 180 graus, aliando-se com liberais e Verdes, após uma campanha marcada pelas questões climáticas?

Qualquer opção é arriscada e será necessário semanas de negociações.

Depois de votar, a líder dos social-democratas Pamela Rendi-Wagner pediu aos seus partidários que fossem às urnas "para impedir a repetição de uma coalizão em preto e branco", as respectivas cores dos conservadores e da extrema direita.

Apesar do escândalo "Ibizagate", o partido nacionalista, fundado em 1950 por ex-nazistas, tem uma base eleitoral sólida.

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