Publicado 29 de Setembro de 2019 - 11h30

Por AFP

Enquanto Washington vetou a Huawei, acusando a companhia de espionagem e pedindo aos seus aliados que fizessem o mesmo, Moscou estendeu tapete vermelho para a gigante chinesa de telecomunicações desenvolver a rede 5G em seu país.

Este mês, a Huawei abriu em Moscou sua primeira zona de testes 5G com a operadora russa MTS. Com sua velocidade muito alta, o 5G é um sonho para os russos, muito dependentes dos celulares, mas também será útil em setores de carros conectados e para reduzir os engarrafamentos.

Após a rejeição de Washington, a Huawei assinou em junho um acordo para o desenvolvimento do 5G com o grupo de telecomunicações russo, por ocasião da visita do presidente chinês Xi Jinping ao fórum econômico de São Petersburgo.

E isso é apenas o começo: a Rússia, país líder em termos de novas tecnologias em comparação com outros países ocidentais, aspira a implantar redes 5G em todas as suas grandes cidades até 2024.

Zhao Lei, chefe da filial russa da Huawei, é grato ao tratamento das autoridades. "Trabalhamos na Rússia há 22 anos e, especialmente graças à confiança de nossos queridos parceiros, vivemos bem aqui", disse ele durante o lançamento do 5G, acrescentando que sua empresa quer "ser líder no desenvolvimento do 6G".

Número dois mundial de telefonia móvel, a Huawei é considerada uma empresa líder do 5G, a futura geração ultra-rápida de internet móvel.

Uma fonte russa do setor de pesquisa 5G disse à AFP que a Huawei é o maior investidor em inovação de tecnologia móvel na Rússia, com "o maior laboratório de pesquisa entre todas as fabricantes" em Moscou.

De acordo com o jornal econômico russo Vedomosti, a Huawei emprega 400 pessoas em Moscou e 150 em São Petersburgo no campo de pesquisa e desenvolvimento, e pretende contratar mais 500 até o final de 2019 e 1.000 adicionais nos próximos cinco anos.

Mas, segundo vários especialistas, o impulso dado por Moscou à Huawei se deve mais a razões econômicas do que a um avanço real do grupo chinês.

"As operadoras russas estão colaborando com vários fabricantes de 5G, incluindo a Huawei, então não vemos nenhum "líder" claro para a implantação de 5G na Rússia", disse à AFP Michela Landoni, analista da Fitch Solutions.

As operadoras "preferem essa abordagem para evitar depender totalmente de um provedor específico" e "garantir assim melhor proteção contra ameaças cibernéticas", acrescentou.

A operadora Tele2 foi a primeira a lançar o 5G na Rússia com a sueca Ericsson em agosto.

Em um contexto de guerra comercial, os Estados Unidos ameaçaram cortar o acesso da Huawei aos componentes e serviços americanos de que precisa, como o sistema operacional Android.

A Rússia não tardou a oferecer seu sistema operacional Aurora ao grupo chinês.

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