Publicado 29 de Setembro de 2019 - 8h30

Por AFP

Milhares de manifestantes pró-democracia seguem mobilizados neste domingo (29) em Hong Kong, apesar do gás lacrimogêneo disparado pelas forças de segurança, na véspera da celebração na China do 70º aniversário da fundação do regime comunista.

Pequim prepara uma série de eventos para comemorar a criação da República Popular da China em 1949, incluindo uma enorme parada militar na terça-feira (1), que reflete a ascensão do país, a segunda economia mundial, como uma superpotência global.

Nesse contexto, Hong Kong, ex-colônia britânica, atravessa desde junho sua pior crise desde 1997, quando foi devolvida à China. Os protestos neste território semi-autônomo denunciam a perda de liberdades e uma crescente interferência de Pequim nos assuntos do território.

Ativistas pró-democracia de Hong Kong convocaram protestos "anti-totalitaristas" contra a China em todo o mundo.

Mobilizações desse tipo já foram realizadas na Austrália e Taiwan, e outras estão previstas neste domingo na América do Norte e Europa.

Hong Kong foi palco neste domingo de outro dia de confrontos entre manifestantes e policiais, que lançaram gás lacrimogêneo em um bairro comercial, Causeway Bay, no centro da cidade, depois que a multidão cercou os agentes.

Alguns manifestantes radicais vandalizaram estações de metrô e arrancaram bandeiras proclamando as comemorações do 70º aniversário da República Popular da China.

Alguns carregavam bandeiras "Chinazi", uma versão da bandeira chinesa na qual as estrelas amarelas formam uma suástica.

Um estudante de 20 anos de idade, Tony, carregava uma bandeira ucraniana, porque muitos dos manifestantes mais radicais de Hong Kong dizem que se inspiram na revolução ucraniana de 2014, que terminou com a fuga do presidente pró-russo.

"Esperamos que, se nos conectarmos com diferentes partes do mundo e lutarmos contra a China comunista, nosso movimento vencerá", declarou Tony à AFP.

Apesar da chuva, cerca de mil manifestantes se reuniram em Taiwan, muitos deles vestidos de preto, em solidariedade ao movimento pró-democracia de Hong Kong.

Em Sydney, uma mobilização semelhante reuniu a mesma quantidade de manifestantes.

"Sinto-me muito triste todas as noites porque vejo as imagens ao vivo [de Hong Kong] através do Facebook e de outras redes sociais", disse à AFP Billy Lam, que estuda na Austrália.

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