Publicado 23 de Maio de 2019 - 5h30

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou ontem a bater na tecla da necessidade de uma “potência fiscal” de R$ 1 trilhão em dez anos com a reforma da Previdência para que o governo seja capaz de lançar o regime de capitalização - que será “regulado, vigiado e garantido”. Num seminário sobre a reforma realizado ontem em Brasília, o ministro brincou: “Vou trocar a expressão capitalização por poupança garantida. Os ricos adoram capitalizar, mas não gostam quando propomos capitalização para os pobres”, disse. “Então, nessa poupança garantida, o jovem guardará recursos para seu futuro”.Guedes esclareceu que esses recursos não serão geridos pelos bancos, mas, sim, por instituições de previdência. “Trata-se de um mercado novo”, explicou. Mais uma vez, o ministro garantiu que nenhuma pessoa que entre no regime de capitalização receberá menos que um salário mínimo como aposentadoria. “Vamos levar os recursos para o futuro, vamos democratizar a poupança. Ao invés de desaparecer no buraco fiscal de Brasília, os recursos serão aplicados”, afirmou. Para Guedes, a aprovação da reforma da Previdência e o lançamento do regime de capitalização promoverão um “choque de criação de empregos” para jovens nos próximos dois anos. Em meio aos atritos entre o Executivo e o Legislativo, o ministro repetiu ter “absoluta confiança” na classe política brasileira, que, afirmou “vai assumir seu protagonismo”.Apoio de Maia

Também presente ao seminário, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reforçou as declarações do ministro, ao afirmar que o equilíbrio da Previdência é decisivo para que o Brasil comece a organizar gasto público. Ontem, ele assinou a prorrogação de envio de emendas para a PEC da reforma da Previdência, que se encerrava hoje, para o próximo dia 30. A data de limite da entrega do relatório, que está sendo feito pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP), contudo, foi mantida para até 15 de junho. Maia confirmou que as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e nas aposentadorias rurais já estão fora do texto em discussão na Câmara. Agora, é preciso achar uma solução para a questão do abono salarial para que a proposta tenha condições de ser aprovada no Plenário. Ele também defendeu ajustes na proposta para garantir uma regra de transição mais adequada para os servidores públicos, mas disse ser “100% defensor” da alíquota progressiva para o funcionalismo. O presidente da Câmara voltou a dizer que o orçamento público foi “capturado por corporações públicas e privadas”, o que levou à perda de qualidade do serviço público. “A estrutura do Estado inviabiliza soluções universais para demandas da sociedade. A Previdência é a primeira de todas as reformas que o Brasil precisa”, enfatizou. Na avaliação do deputado, os governos do PT geraram uma estrutura salarial no setor público muito acima da praticada pelo setor privado. “Essa desestruturação levou o Brasil à recessão que vivemos hoje. Vemos que a pobreza, o desemprego e o desalento estão aumentando, e é preciso coragem para construir uma nova Previdência e novo Estado”, acrescentou.O presidente da Câmara admitiu que o custo da administração pública é responsável por boa parte dos problemas orçamentários do País. “Temos uma gratificação para cada dois funcionários no Legislativo e no Judiciário. Não sou contra os servidores públicos, mas esse sistema está pura e simplesmente falido”, concluiu. (Do Estadão Conteúdo)