Publicado 23 de Maio de 2019 - 5h30

Ao menos 18 pessoas foram presas e 19 conduzidas para as delegacias, ontem, em Campinas, durante uma operação deflagrada pela Polícia Civil e CPFL Paulista, para combater fraudes e furtos de energia. Denominada Tesla, a ação tinha como foco comércios, indústrias e condomínios. No total foram inspecionados 47 locais e constatadas 40 fraudes. Esse é o balanço parcial — os números finais sairão hoje. Segundo a concessionária, por ano, 2% da energia distribuída em sua área de concessão são furtados.

A ação estava prevista para ser realizada em 120 pontos de consumo, distribuídos em 45 bairros de Campinas, entre os quais Cambuí, Vila Aeroporto, Satélite Iris, Vila Mimosa e Sousas, entre outros. De acordo com o gerente de serviços comerciais da companhia, Pedro de Aro, os principais pontos de fraudes, conhecidos como “gatos”, foram encontrados em restaurantes, açougues e supermercados.

Nestes locais, segundo ele, foram identificados medidores modificados internamente, manipulação nos registradores de consumo, entre outras técnicas de furto de energia elétrica. Na Avenida Ana Beatriz Bierrembach, foram vistoriados três estabelecimentos. Um deles, um açougue, onde havia várias geladeiras e câmaras, a conta mensal era de R$ 1 mil, quando o correto seria em torno de R$ 2,5 mil. Nos três estabelecimentos, os lacres estavam violados. Os donos dos locais foram presos em flagrantes, mas como é crime afiançável eles vão responder em liberdade.

O trabalho envolveu 13 delegacias, entre especializadas e distritos, em um total de 42 policiais civis e 45 funcionários da companhia e de empresas contratadas. As fraudes e furtos de energia são crimes previstos no Código Penal, e a pena pode variar de um a quatro anos de detenção. Também são cobrados dos fraudadores os valores das tarifas referentes a todo o período em que ocorreu o roubo, acrescidos de multa.

Segundo Aro, a operação é realizada constantemente pela companhia, mas dessa vez envolveu a Polícia Civil para reforçar a ação. “É inibitória e para instruir os clientes de sua complexidade, de quanto o furto é impactante”, disse o gerente. “Os maiores problema do furto são com a segurança das pessoas, pois pode trazer risco para quem está na rua, na qualidade do fornecimento, com a queda indesejável, além do impacto na tarifa, pois parte do furto é reconhecida na tarifa das concessionárias e outra parte do acionista. Com isso, encarece a tarifa dos clientes, já que é rateado entre consumidores”, acrescentou

Entre as fraudes constam o desvio direto da rede, adulteração dos medidores, com rebaixamento de mancal (medidor gira devagar), eletrônica no interior dos medidores. Segundo Aro, a concessionária investe em tecnologia para detectar as fraudes. “Temos um banco de dados inteligente onde é inserido perfil dos clientes e ele indica os possíveis fraudadores. De cada 10 inspeções, cerca de 2,5% tem assertividade. O trabalho também é feito com um aparelho de endoscopia que detecta a fraude que os técnicos não enxergam a olho nu”, disse o gerente.

Em 2018, somente em Campinas foram realizadas 63.459 inspeções com a constatação de 17.691 irregularidades. Com a fiscalização foram recuperados 42.458 megawatts por hora (MWh), suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 70 mil habitantes (23,5 mil clientes). Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2018 as concessionárias no Brasil amargaram um prejuízo total em razão de perdas não técnicas (furtos e fraude de medidores) de R$ 4,9 bilhões. (Alenita Ramirez/Da Agência Anhanguera)