Publicado 23 de Maio de 2019 - 5h30

Fosse necessário elencar todos os problemas que afligem a sociedade brasileira, poderiam ser encontrados em praticamente todos os setores, tantas as dificuldades acumuladas por décadas de incúria da gestão pública e falta de objetivos que levem em consideração o bem-estar comum. Hoje, a prioridade são os ajustes na economia, passando pela propalada reforma da Previdência em qualquer formato, além da preocupação com segurança pública, dois dos mais relevantes projetos propostos pelo governo de Jair Bolsonaro. A Educação assume também importância vital, mas entrou no debate pelas vias tortuosas do conflito e desinformação. Ao pecar pela falta de uma comunicação precisa, o governo desviou o foco e criou para si um problema político de desdobramentos imprevisíveis.

A expectativa da sociedade em relação aos propósitos do novo governo, que se firmou com um discurso de mudanças, seria de um aprofundamento das teses rasas das campanhas eleitorais e fixasse um foco preciso sobre os caminhos a serem seguidos. A polêmica sobre o contingenciamento de verbas abafou o que poderia ser um debate franco sobre uma proposta que, a rigor, nem chegou a ser colocada à mesa, colocando em dúvida se realmente existe um caminho definido. Ao que se sinalizou pela instabilidade política no comando do Ministério da Educação, palco de mutações injustificáveis, o que está ruim, pode piorar.

O Brasil investe uma parcela considerável do PIB em Educação, em percentuais equiparáveis aos países mais avançados, mas o resultado em recursos e resultados é pífio. Mais do que isto, o País gasta mal e derrapa na falta de um ajuste do sistema. É preciso reconhecer como positiva a intenção do governo de priorizar a educação de base. Ninguém em sã consciência poderia advogar o corte de recursos para universidades, mas o debate deveria se alongar, ao buscar um consenso global. Com um estudante na faculdade pública se gasta quatro vezes o que é destinado a um aluno do ensino básico, fruto da tendência de valorizar o ensino superior. As manifestações que lotaram as ruas de todo o País focaram justamente no arrocho dos investimentos, mas deixaram de lado as questões da educação de base, o piso salarial dos professores, a evasão e falta de formação no Ensino Médio, e até a federalização do setor como alternativa para um projeto maior.

No setor não existem problemas isolados, assim como a Educação deve ser analisada da base ao topo. Nisto, o governo peca por não desenhar um quadro claro da situação, identicar os problemas, e não apresentar um projeto à altura das necessidades.