Publicado 17 de Maio de 2019 - 20h40

Por AFP

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta sexta-feira (17) que detectou possíveis irregularidades nos contratos do Fundo Amazônia, o maior projeto de cooperação internacional para a preservação da floresta no Brasil, que conta com a participação de Noruega e Alemanha."Há indícios de que estão gastando muitos recursos sem ter a comprovação de que estão trazendo resultados no objetivo do fundo, o combate ao desmatamento", declarou Salles em coletiva de imprensa em São Paulo.O ministro defendeu modificar os critérios de seleção de instâncias beneficiárias destes recursos. "A regra atual é muito ampla e precisava ter um critério mais preciso e restritivo, saber desde o início quais são os objetivos, as metas e as consequências", afirmou.Criado em 2008, o Fundo Amazônia administra cerca de 1,3 bilhão de reais, procedentes principalmente da Petrobras e de governos de Alemanha e Noruega. Os recursos são distribuídos pelo BNDES a organizações governamentais e não governamentais (ONG).Salles disse que as possíveis irregularidades foram detectadas em um quarto dos 103 projetos em curso e que entre os contratos sob suspeita estão ONGs, as quais não identificou.O ministro suspendeu os contratos do governo com todas as ONGs em janeiro, após ter sido nomeado ministro do Meio Ambiente pelo presidente Jair Bolsonaro.Segundo o ministro, que questiona o consenso científico de que o aquecimento global tem como causa as atividades humanas, "a governança [do Fundo Amazônia] deve ser alterada para dispor de mecanismos que permitam escolher melhor" os beneficiários.Salles admitiu que o Fundo Amazônia "certamente ajudou em algum grau a controlar, reduzir ou segurar o desmatamento", mas disse que com os instrumentos atuais é impossível medir o impacto real dos recursos investidos.O ministro disse ter conversado esta semana sobre o tema com embaixadores de Noruega e Alemanha.Segundo dados da Agência Brasil, estes dois países doaram em dezembro 271,2 milhões de reais ao Fundo e seu apoio desde o início chega a 4,6 bilhões de reais.

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