Publicado 17 de Maio de 2019 - 17h30

Por AFP

O embaixador da Rússia na ONU acusou nessa sexta-feira o organismo de controle de armas químicas das Nações Unidas de estar "politizado" e seu mandato "descarrilado", após Moscou apresentar um projeto de reforma no Conselho de Segurança.Os diplomatas ocidentais temem que a medida proposta pela Rússia tenha como objetivo debilitar a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), organismo em questão, que lidera os esforços para investigar os ataques químicos na Síria."Estamos trabalhando para que a Opaq volte aos trilhos, porque saiu da pista e agora está muito politizada", disse o embaixador Vassily Nebenzia em entrevista coletiva."Sempre foi um órgão técnico onde predominou o consenso, e agora vemos que está completamente politizado, com uma agenda política de várias partes"."Queremos que a Opaq volte para onde estava", disse.Em consonância com o que disse Nebenzia, o texto preliminar visto pela AFP indica "com preocupação a contínua politização do trabalho da Opaq", que "reduz significativamente a eficiência das atividades da organização".O projeto de resolução estabelece que o Conselho de Segurança - onde a Rússia tem poder de veto - seja o único órgão internacional que pode impor medidas em países que violem a Convenção Sobre Armas Químicas.O embaixador não especificou quando esperava que o conselho votasse sobre a medida apresentada nessa quinta-feira, dizendo que as negociações estavam em curso.A Opaq entrou em acordo no ano passado em estabelecer um mecanismo que identificava os responsáveis pelos ataques químicos, medida que a teve forte oposição da Rússia e da Síria.Os países do ocidente pressionaram após os relatórios da Opaq com a confirmação do uso de armas químicas na Síria, assim como o ataque com um agente neurotóxico contra o ex-espião russo Sergei Skripal na cidade inglesa de Salisbury, em março de 2018.Agora essas potências pedem à nova equipe de investigação que comece a trabalhar para identificar os culpados por um ataque mortal na cidade síria de Douma, em abril de 2018.cml/jh/mps/mls/cr/cc

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