Publicado 23 de Maio de 2019 - 12h58

Por Estadão Conteudo

Chico Buarque se tornou o primeiro músico a ganhar a distinção: Vencedor foi escolhido por uma equipe de seis jurados indicados pela BNB

Do Estadão Conteúdo/Divulgação

Chico Buarque se tornou o primeiro músico a ganhar a distinção: Vencedor foi escolhido por uma equipe de seis jurados indicados pela BNB

O cantor, compositor e escritor brasileiro Chico Buarque foi escolhido, nesta terça-feira, 21, como vencedor do Prêmio Camões de 2019 pelo conjunto de sua obra. Trata-se da maior distinção em literatura da escrita portuguesa. A eleição aconteceu na Biblioteca Nacional, no Rio, onde, após uma reunião de duas horas, um júri especialmente escolhido anunciou seu nome. 

Chico, que se tornou o primeiro músico a ganhar a distinção além de ser o 13º autor brasileiro a figurar entre os vencedores, vai receber 100 mil euros. Ele está em Paris, para onde normalmente viaja a fim de passar seu aniversário, em junho. Lá, foi surpreendido por uma enxurrada de telefonemas (da ex-mulher, Marieta Severo, de seu editor, Luiz Schwarcz, de seu assessor, Mario Canivello). Sobre a premiação, comentou: "Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar", referindo-se ao mais recente brasileiro a ganhar o prêmio.

O vencedor foi escolhido por uma equipe de seis jurados indicados pela Biblioteca Nacional do Brasil, pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela comunidade africana. São eles os portugueses Clara Rowland e Manuel Frias Martins, os brasileiros Antonio Cicero Correia Lima e Antônio Carlos Hohlfeldt, a angolana Ana Paula Tavares e o moçambicano Nataniel Ngomane.

Chico Buarque já havia vencido, em 2010, o Jabuti, principal prêmio literário brasileiro, pelo seu romance Leite Derramado, em 2006, com Budapeste, e em 1992, com Estorvo.

Embora sua carreira musical seja a mais proeminente, Chico já escreveu peças de teatro, como Roda Viva, Gota d'Água, Calabar e Ópera do Malandro, e livros como Fazenda Modelo, Estorvo, Benjamim, Budapeste, Leite Derramado e O Irmão Alemão.

Neste último, de 2014, Chico partiu de uma história real (a descoberta de um rapaz, fruto de um relacionamento amoroso de seu pai no período em morou em Berlim, entre 1929 e 1930) para misturar as fronteiras que separam a ficção da realidade. É por meio de caminhos vertiginosos em sua busca pela verdade e também pelo afeto que Chico Buarque transita por momentos históricos delicados como o Holocausto, na 2.ª Guerra, e a ditadura militar brasileira.

O prêmio

O primeiro vencedor do Prêmio Camões foi o escritor português Miguel Torga (1907-1995), em 1989. O primeiro autor brasileiro a ser eleito foi João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no ano seguinte. Em 1991, o moçambicano José Craveirinha (1922-2003) se tornou o primeiro escritor africano a receber a premiação. Já a primeira mulher a ser galardoada foi a brasileira Rachel de Queiroz (1910-2003), em 1993.

Ao todo, um angolano, dois cabo-verdenses, dois moçambicanos, 12 portugueses e agora 13 brasileiros receberam a honraria. Em 2006, o luso-angolano José Luandino Vieira se tornaria o segundo representante de Angola, depois de Pepetela, a ganhar o Camões, mas recusou o prêmio por, na época, estar há 30 anos sem escrever.

O último brasileiro a vencer o Prêmio Camões foi Raduan Nassar, autor de clássicos como Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, eleito em 2016. Além deles, os brasileiros ganhadores do Camões são: João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012) e Alberto da Costa e Silva (2014).

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