Publicado 23 de Maio de 2019 - 8h05

Por Alenita Ramirez

O abate de capivaras no Condomínio Chamonix foi autorizado após a morte de um morador por febre maculosa; animais foram isolados

Divulgação

O abate de capivaras no Condomínio Chamonix foi autorizado após a morte de um morador por febre maculosa; animais foram isolados

Para ativistas, ambientalistas e protetores de animais, a solução para as capivaras, não só as que vivem no Condomínio Chamonix, em Itatiba, é o manejo para o Corredor das Onças. Entretanto, a coordenadora do Projeto Corredor das Onças, em Campinas, defende que os roedores podem contaminar outros animais e espalhar a febre maculosa.

O sacrifício de cerca de 50 capivaras no condomínio em Itatiba foi autorizado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA) no início deste mês, após um morador morrer por febre maculosa. Anteontem, a empresa contratada para o abate capturou e eutanasiou três animais. Moradores e protetores de animais tentam impedir outros abates no local. “Matar não é a solução do problema.

O correto é tirar as que não estão contaminadas e levá-las para outras áreas. Em casos de condomínios, é necessário que a administração identifique o acesso desses animais e impeça que novas entrem, mas matar nunca”, disse o observador ambiental Gustavo Pinto. “Em Rio Claro houve um problema semelhante e as capivaras foram removidas para o Corredor das Onças, na região de Tietê”, comentou.

Para o professor de direito penal e presidente do Instituto de Valorização da Vida Animal (IVVA), João Paulo Sangion, o ideal seria o condomínio fazer a contenção das capivaras e coletar o sangue de todas para ver qual está contaminada e com base nesse estudo, liberar as contaminadas em uma região de mata para serem presas das onças-pintadas. “A solução não é matar”, falou.

Segundo a analista ambiental e coordenadora do Projeto Corredor das Onças em Campinas, Márcia Gonçalves Rodrigues, em julho de 2014 foi realizada uma pesquisa com três onças-pintadas que foram levadas para o local. Elas viviam em cativeiro e precisavam passar por um processo de readaptação. Para alimentar as felinas, foi elaborado um projeto que incluiu o uso de capivaras contaminadas. Os roedores eram oriundos do Condomínio Alphaville.

“O projeto durou dois anos e encerrou. Não é simples o manejo para o Corredor das Onças. As capivaras tiveram que ficar de quarentena, na qual foi feito processo de carrapaticida. Só então foram oferecidas às onças”, disse Márcia. “Não se pode dispersar a doença. Se as capivaras estão contaminadas, elas não podem ser levadas para outros locais, porque qualquer outro animal em contato com elas, pode pegar o carrapato”, disse a analista ambiental.

Segundo Márcia, há uma disseminação de carrapatos na bacia do Corredor da Onça da região, com foco da febre maculosa, entretanto, é necessário acabar com o foco. “Se na perspectiva sanitária da Sucen (Superintendência de Controle de Edemias) o correto é eutanasiar, não há o que fazer. Não adianta resolver o problema de um local, mas criar em outra área”, comentou.

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Alenita Ramirez